Caso levanta preocupações sobre xenofobia e bullying em instituições de ensino

Menino brasileiro teve dedos amputados após ser chamado de mentiroso por professora. Caso levanta suspeitas de xenofobia.
Em um caso alarmante de bullying e possíveis motivações xenofóbicas, um menino brasileiro de 9 anos teve dois dedos parcialmente amputados em uma escola de Portugal. Antes da tragédia, ele havia sido chamado de mentiroso por uma professora ao relatar agressões que vinha sofrendo. A mãe da criança, Nívia Estevam, expressou sua indignação e preocupações sobre a segurança do filho nas instituições de ensino.
A situação começou a se agravar quando o menino, que estava frequentando a Escola Básica de Fonte Coberta, em Cinfães, no distrito de Viseu, relatou que estava recebendo puxões de cabelo e chutes de outras crianças. Quando ele contou à professora sobre os ataques, a resposta dela foi desdenhosa: “Não seja mentiroso, você tem que ser um menino bom”. Essa fala, segundo a mãe, foi um dos principais fatores que contribuíram para a escalada das agressões.
O primeiro relato do menino à mãe envolveu um colega de classe que o menosprezava, afirmando que ele não sabia falar português corretamente. A criança havia começado a frequentar a escola em setembro, no início do ano letivo europeu. Após vários episódios de agressão, Nívia decidiu entrar em contato com a professora, enviando fotos das marcas que seu filho apresentava no corpo, incluindo roxos no pescoço e no peito. A docente respondeu que falaria com as crianças envolvidas no dia seguinte.
Infelizmente, cinco dias depois, a situação culminou em um incidente grave. O menino sofreu uma amputação parcial dos dedos após ser ferido por duas crianças que fecharam uma porta de banheiro em suas mãos, impedindo-o de pedir ajuda. Nívia recebeu um telefonema da escola informando que seu filho havia sofrido um “acidente leve” em 10 de novembro. Ao chegar à escola, ela encontrou a criança com uma mão ensanguentada e enfaixada. O momento foi angustiante, e a dor aumentou quando um bombeiro na ambulância entregou a ela um dos dedos amputados de seu filho.
O menino foi levado para o Hospital de São João, no Porto, onde passou por uma cirurgia de três horas. Infelizmente, os médicos não conseguiram reconstituir as pontas dos dedos. Após o ocorrido, a família decidiu mudar de casa e cidade, temendo pela segurança do garoto, e atualmente está morando provisoriamente na casa de parentes.
Até o momento, Nívia relatou que não recebeu nenhum contato do Ministério da Educação, da escola ou dos pais das crianças envolvidas nas agressões. O único retorno oficial veio do Consulado do Brasil no Porto, que ofereceu apoio psicológico e jurídico. As autoridades portuguesas estão investigando o caso, que gerou uma onda de indignação e preocupação sobre a segurança das crianças nas escolas.
Este incidente destaca a necessidade urgente de abordar o bullying e a xenofobia nas instituições de ensino, garantindo que todas as crianças se sintam seguras e respeitadas, independentemente de sua origem. A comunidade e as autoridades precisam trabalhar juntas para criar um ambiente escolar livre de preconceitos e agressões.
Fonte: noticias.uol.com.br










