Mais da metade dos municípios de Santa Catarina registra traços de agrotóxicos na água potável


Relatório do Ministério Público revela presença de 42 defensivos agrícolas em 52% das cidades catarinenses, com riscos à saúde a longo prazo

Mais da metade dos municípios de Santa Catarina registra traços de agrotóxicos na água potável
Água potável em Santa Catarina apresenta traços de agrotóxicos em mais da metade dos municípios do estado

Mais de 50% dos municípios catarinenses têm traços de agrotóxicos na água, alerta relatório do Ministério Público.

Presença de traços de agrotóxicos na água potável em Santa Catarina

Um relatório recente do Ministério Público de Santa Catarina indica que traços de agrotóxicos na água potável foram detectados em 52% dos municípios do estado, abrangendo 155 das 295 cidades. O estudo, realizado entre 2018 e 2023, aponta a presença de 42 tipos diferentes de defensivos agrícolas na água tratada. Ainda que as concentrações estejam abaixo dos limites máximos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, a constatação levanta preocupações acerca dos efeitos à saúde pública a longo prazo.

Herbicidas e agrotóxicos banidos identificados nas águas municipais

O herbicida 2,4-D foi o mais comumente encontrado, presente em 81 municípios, reforçando a sua ampla utilização nas áreas agrícolas locais. Além disso, cinco agrotóxicos proibidos no Brasil — benomil, carbofurano, haloxifobe metílico, metolacloro e molinato — foram detectados em cidades como Balneário Camboriú, Imbuia e Ituporanga. Essas substâncias são reconhecidas pelos riscos elevados que oferecem à saúde humana e ao meio ambiente.

Impactos regionais e variação na incidência por áreas do estado

A distribuição dos traços de agrotóxicos varia conforme a região. O Sul de Santa Catarina apresenta a maior proporção, com 76,1% dos municípios afetados, seguido pelo Oeste (53,4%), Grande Florianópolis (57,1%), Norte (42,3%) e Serra (33,3%). Cidades do litoral, como Balneário Camboriú e Camboriú, sem extensas áreas agrícolas, apontam para contaminação por irrigação de plantações próximas aos rios, evidenciando o impacto do uso intensivo da água para agricultura sobre o abastecimento urbano.

Riscos à saúde e necessidade de medidas integradas

Embora os níveis estejam tecnicamente dentro dos padrões seguros, o relatório alerta para os potenciais efeitos adversos da exposição crônica a agrotóxicos, incluindo o desenvolvimento de câncer, disfunções endócrinas e danos a órgãos vitais como fígado e rins. O Ministério Público de Santa Catarina planeja incentivar a criação de grupos de trabalho multidisciplinares que englobem Vigilância Sanitária, saúde pública, agricultura e defesa do consumidor para aprimorar o monitoramento e a gestão da qualidade da água.

Perspectivas para proteção e gestão da água potável em Santa Catarina

A pesquisa evidencia a complexidade do desafio enfrentado pela gestão ambiental e sanitária em Santa Catarina. A identificação de compostos proibidos e a quantidade significativa de agrotóxicos presentes nas águas tratadas revelam lacunas no controle do uso de defensivos agrícolas e na proteção dos recursos hídricos. A participação da Casan (Companhia Catarinense de Águas e Saneamento) é fundamental para implementar estratégias efetivas que garantam a segurança do abastecimento de água potável para a população.

A continuidade dos estudos e a atuação articulada entre órgãos públicos são essenciais para minimizar os impactos ambientais e à saúde decorrentes do uso dos agrotóxicos, assegurando a qualidade da água e a sustentabilidade dos recursos hídricos no estado.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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