Seila Aparecida Feitosa, inconformada com o desfecho do caso que envolve a morte de sua filha, a médica Valquíria Feitosa Patrício Gomes, e do neto, João Roberto, de apenas 2 anos, liderou mais um protesto em Campo Grande na última sexta-feira (31). Em frente à Defensoria Pública, um grupo de manifestantes, em sua maioria mulheres, empunhou cartazes clamando por “Justiça por João e Valquíria”, denunciando o que consideram graves falhas na condução da investigação.
De acordo com as manifestantes, a investigação do caso, que aponta para um possível suicídio seguido de infanticídio, negligenciou 17 diligências cruciais. “A Defensoria Pública identificou 17 diligências que deveriam ter sido feitas e não foram”, declarou a advogada Maria Isabel Sandanha, da ONG Valquírias, ressaltando a ausência de exames toxicológicos e a não aplicação de protocolos de gênero e da ONU para casos de suicídio de mulheres.
A advogada Mara Dalila Teixeira, atuante em casos de violência doméstica e administradora da página Justiça Delas MS, acompanha Seila há dois anos e reforça a persistência da mãe em busca de respostas. “Seila encontrou na luta, na rua e nas mulheres a forma de conseguir a justiça que tanto procura”, afirmou Mara, criticando o arquivamento de cinco inquéritos relacionados ao caso.
A busca por justiça agora se concentra em uma nova frente dentro da Defensoria Pública, como explicou Mara Dalila Teixeira. “A Seila iniciou uma nova luta, buscando respostas para o João. Qual será o caminho que a Defensoria adotará? Contra o pai? Pedindo indenização ao Estado pelas falhas na investigação?”, questiona a advogada, enfatizando que a família busca responsabilização, não apenas reparação financeira.
O caso, que se arrasta desde 2016, ganhou notoriedade após Valquíria e João serem encontrados mortos, abraçados, no quarto da residência da médica. A polícia concluiu que Valquíria, em um quadro depressivo, teria asfixiado o filho com monóxido de carbono e, em seguida, cometido suicídio. A versão é contestada por Seila, que não acredita na hipótese de suicídio e aponta inconsistências na investigação, como a ausência de exames toxicológicos e o não questionamento de testemunhas. “Tenho certeza de que não foi suicídio pela forma como os corpos estavam”, conclui a mãe, clamando por uma investigação completa e transparente para que a verdade venha à tona.










