A Justiça do Rio de Janeiro deu início, nesta terça-feira (21), ao julgamento de Cíntia Mariano Dias Cabral, acusada de envenenar seus dois enteados com chumbinho em um caso que chocou a cidade de Realengo, Zona Oeste, em 2022. O crime resultou na morte de Fernanda Carvalho, de 22 anos, enquanto seu irmão, Bruno Cabral, que na época tinha 16 anos, conseguiu sobreviver.
O caso ganhou notoriedade pela brutalidade e pelos detalhes que emergiram durante a investigação. Na última audiência de instrução e julgamento, em maio de 2023, Cíntia optou por permanecer em silêncio, aumentando o mistério em torno do caso. O médico neurologista e perito médico legista da Polícia Civil, Gustavo Figueira Rodrigues, foi a única testemunha interrogada naquele dia, reforçando a gravidade das evidências.
Segundo o perito, o laudo de Bruno indicava claramente intoxicação. “A primeira análise que foi feita foi no laboratório da Polícia Civil. Apesar de não se evidenciar [a substância], está claro o caso de intoxicação”, afirmou Rodrigues, evidenciando a solidez das provas contra a ré.
A mãe de Fernanda, Jane Carvalho, expressou sua dor e convicção sobre a culpabilidade de Cíntia. “Desde o início, quando tudo aconteceu com o Bruno, eu tinha certeza de que era ela”, disse Jane, demonstrando confiança na justiça e esperando uma punição exemplar.
Fernanda faleceu em 27 de março de 2022, após 12 dias de internação. Ela havia sido hospitalizada depois de passar mal na casa do pai, onde a madrasta também residia. Os sintomas, como dificuldades respiratórias e convulsões, foram inicialmente um mistério para os médicos.
Dois meses após a morte de Fernanda, Bruno também apresentou sintomas semelhantes após comer feijão na mesma casa. A similaridade dos casos levou a Polícia Civil a investigar Cíntia Mariano, que foi indiciada pelo homicídio de Fernanda e pela tentativa de homicídio de Bruno, ambos supostamente envenenados com chumbinho.
As investigações revelaram que Cíntia havia apagado mensagens de seu celular. O laudo complementar de necropsia confirmou que a causa da morte de Fernanda foi intoxicação exógena por envenenamento. Exames em Bruno também detectaram a presença de pesticidas como carbofuran e terbufós, componentes do chumbinho, em seu organismo.
Fonte: http://odia.ig.com.br










