Presidente brasileiro sugere que países em desenvolvimento abatem dívidas em contrapartida a iniciativas ambientais durante cúpula na África do Sul

Lula defende que países em desenvolvimento troquem dívidas por ações climáticas em discurso no G20.
Neste sábado (22), na abertura do encontro de líderes do G20, que ocorre na África do Sul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva defendeu uma inovadora proposta: permitir que países em desenvolvimento possam abater suas dívidas em troca de iniciativas voltadas ao combate e adaptação às mudanças climáticas. Essa ideia visa oferecer uma alternativa viável para as nações que lutam contra o peso das dívidas externas.
Em seu discurso de sete minutos, Lula destacou que “o G20 deve incentivar a adoção de mecanismos inovadores de troca de dívidas por desenvolvimento e por ação climática”. Ele mencionou que o custo do pagamento do serviço da dívida dos países em desenvolvimento aumentou para impressionantes US$ 1,4 trilhão por ano, um valor superior ao que está sendo mobilizado para a ação climática no atual contexto global.
A relação entre dívida e clima
O presidente fez uma referência indireta à COP30, que está ocorrendo em Belém, ao comparar o peso das dívidas ao custo das iniciativas climáticas. Lula argumentou que a situação financeira atual dos países em desenvolvimento é insustentável, e que a troca de dívidas poderia facilitar a implementação de políticas ambientais efetivas.
O discurso de Lula ocorre em meio a um cenário de polêmica dentro do G20, especialmente devido à postura do presidente dos EUA, Donald Trump, que se opõe à ideia de que o aquecimento global é causado por atividades humanas. Trump não apenas boicotou a cúpula, mas também se manifestou contra a divulgação de um documento final, alegando discordâncias em relação à agenda proposta pela África do Sul, atual presidência rotativa do G20.
O anfitrião e o clima global
Cyril Ramaphosa, presidente da África do Sul, que recebeu os líderes, fez uma menção explícita às mudanças climáticas em sua fala inaugural, reforçando a importância do tema. Ele defendeu a integridade e a credibilidade do G20, ressaltando que a cúpula não pode ser enfraquecida por discordâncias internas. Ramaphosa também fez uma crítica sutil ao boicote de Trump, enfatizando a importância de uma colaboração efetiva entre as nações.
Lula apoiou a proposta sul-africana de criar um painel independente sobre a desigualdade mundial, semelhante ao painel intergovernamental sobre mudanças climáticas. Segundo ele, essa iniciativa é crucial para retomar a implementação dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS).
Temas recorrentes na fala de Lula
Além das novas propostas, Lula reiterou temas recorrentes de sua administração, como a necessidade de combater a desigualdade social, a ideia de taxação dos super-ricos e a importância da Aliança Global contra a Fome e a Pobreza, lançada em 2024 durante a presidência brasileira do G20.
Embora a princípio apenas o discurso do anfitrião, Ramaphosa, fosse público, a organização do evento permitiu que o discurso de Lula fosse transmitido ao vivo pelo CanalGov, do governo brasileiro. O próprio Lula intercedeu junto aos organizadores para viabilizar essa transmissão, destacando a importância de sua mensagem para o público.
Contexto do G20 e ausências notáveis
O G20, criado em 1999 como um fórum anual para discutir problemas da economia mundial, reúne atualmente 19 países e dois blocos, a União Europeia e a União Africana, representando mais de 80% do PIB mundial e cerca de metade da população do planeta. Este ano, o encontro foi marcado pela notável ausência de líderes como o presidente chinês Xi Jinping e o presidente argentino Javier Milei, ambos enviando representantes. O presidente russo, Vladimir Putin, também não compareceu devido a um pedido de prisão do Tribunal Penal Internacional (TPI) por crimes relacionados à guerra na Ucrânia.
Por outro lado, a cúpula recebeu líderes de países não pertencentes ao G20, como a Espanha, representada pelo primeiro-ministro Pedro Sánchez. O evento ocorre em um centro de convenções próximo ao famoso estádio de Soccer City, onde os líderes foram recebidos com honras pelo presidente Ramaphosa. Em meio a esse cenário, Lula chegou ao evento pontualmente, destacando seu papel proeminente na diplomacia internacional.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal










