Presidente defende que filho responda por eventuais erros e sugere empréstimo a Marcola em investigação

Lula afirma que não vai interferir em investigações contra seu filho Lulinha e diz acreditar que ex-assessor Marcola recebeu empréstimo, não pagamento ilícito.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confrontou ontem as investigações que envolvem seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-assessor Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola. Em entrevista à TV Globo, Lula afirmou que não vai interferir na apuração e que, se houver irregularidades, os envolvidos deverão responder como qualquer cidadão — inclusive seu filho, que atualmente está sob suspeita.
Lula criticou a inexistência de provas formais até o momento e ressaltou que as gravações telefônicas atribuídas a Lulinha não comprovam uso de dinheiro público ou contatos ilegais com ministros. “Se o Fábio cometeu qualquer ilícito, ele terá que pagar como qualquer cidadão. Não vou afastar delegado da PF”, declarou, em gesto para afastar acusações de proteção política.
Sobre Marcola, o presidente minimizou o papel do ex-assessor — limitado, segundo ele, a encaminhar pedidos de audiência com ministros —, mas condenou relatos de que despesas pessoais e joias teriam sido pagas por lobistas. “Não é adequado, é totalmente errado”, afirmou, afirmando que Marcola alega ter recebido um empréstimo, hipótese que deverá ser esclarecida pela investigação. “Eu acredito que ele pegou empréstimo”, disse Lula, que também lamentou não ter sido procurado pelo ex-assessor antes da divulgação dos fatos.
Com tom firme, Lula destacou que sua experiência na Lava Jato o ensinou a não fugir da Justiça, e afirmou que seu governo não dará “um milímetro” de proteção ao filho ou a quaisquer envolvidos. “Eu fui vítima da maior mentira montada neste país para evitar que eu fosse presidente. Fui às autoridades e prestei mais de vinte depoimentos”, lembrou, explicitando sua postura contra a impunidade, inclusive dentro do próprio círculo familiar.
Na entrevista, o presidente negou conhecer a lobista Roberta Luchsinger, apontada em algumas suspeitas, e reforçou que até o momento não há provas concretas contra familiares ou ex-assessores ligados ao seu governo.
Lula pressiona transparência e nega escândalo
A entrevista marcou uma tentativa clara de Lula de controlar os danos políticos diante das denúncias recentes, que ameaçam desgastar seu governo e seu entorno familiar. Ao minimizar os atos do ex-assessor e condicionar a culpa à comprovação, o presidente busca preservar sua imagem enquanto reafirma a necessidade de investigação rigorosa, sem interferência política.
No entanto, a confiança no empréstimo declarado por Marcola soa como um recuo, visto que os relatos iniciais apontam para pagamentos indevidos. A postura do presidente expõe o desconforto diante do desgaste causado pela crise e a tentativa de manter o controle sobre o caso sem criar novos focos de desgaste político.
O cenário revela um embate político delicado, em que Lula defende seu legado e sua família, ao mesmo tempo que é pressionado a mostrar clareza e responsabilidade diante das suspeitas que rondam seu círculo próximo.









