Presidente afirma que líderes mundiais já sabem qual será o desfecho do conflito e propõe nova frente de negociação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta semana que o conflito entre Rússia e Ucrânia deve terminar com concessões de ambos os lados, e que líderes internacionais já compreendem, ainda que não admitam publicamente, como será o desfecho da guerra. Para Lula, há um entendimento tácito de que nem Moscou abrirá mão da Crimeia, nem Kiev aceitará a perda de parte de seu território — o que, segundo ele, trava a busca por uma solução diplomática.

“Todo mundo sabe o que vai acontecer no fim dessa guerra”, declarou Lula. “As condições para um acordo já estão colocadas, falta coragem de dizerem o que realmente querem. Vocês acham que o Putin vai sair da Crimeia?”
O presidente completou sua análise dizendo que “nem Putin quer sair, nem Zelensky quer reconhecer que parte de seu território foi invadida e ainda está em disputa”.
Segundo o presidente brasileiro, o acordo de paz está mais próximo do que se imagina, mas enfrenta obstáculos internos: “Putin e Zelensky têm dificuldades para explicar ao seu povo os próprios limites”, disse. “Ninguém vai sair com tudo o que deseja. A vida é assim, também na política”.
A declaração ocorre em um contexto em que a Ucrânia insiste em retomar todo o território ocupado — cerca de 20% do país — incluindo as quatro regiões anexadas pela Rússia e a Crimeia, invadida em 2014. No entanto, essa posição é considerada inaceitável por Moscou, o que dificulta um cessar-fogo duradouro.
Proposta de mediação internacional
Lula também apresentou uma nova proposta para impulsionar as negociações de paz: a formação de um grupo de países emergentes, liderado pelo secretário-geral da ONU, António Guterres. Essa comitiva diplomática teria como missão visitar os dois países em guerra e apresentar uma proposta conjunta de resolução.
Segundo ele, a ideia já foi compartilhada com o presidente francês Emmanuel Macron, durante sua visita à França. Lula acredita que a atuação de uma terceira via poderia ajudar a romper o impasse, desde que haja consentimento tanto de Putin quanto de Zelensky. “Se os dois não conseguem dizer o que querem, alguém de fora pode dizer. Mas isso só funciona com a anuência das partes”, afirmou.
Lula concluiu defendendo o pragmatismo como caminho possível: “Nem 100% da posição do Zelensky, nem 100% da posição do Putin. Vai ser 100% do que for possível”.
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