Presidente critica senadores por controle de agências e sinaliza desgaste político no Executivo

Em jantar fechado, Lula reclama do loteamento político nas agências reguladoras, cita o impasse para indicação no Cade e revela desgaste do Executivo frente ao Senado.
Em um encontro reservado no Palácio da Alvorada com empresários e banqueiros na noite de segunda-feira (31), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não poupou críticas ao que chamou de loteamento político nas agências reguladoras. O chefe do Executivo destacou o desgaste crescente do governo diante do Senado, que tem dificultado a nomeação de indicações de sua preferência, citando nominalmente o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
O Cade está sem presidente efetivo desde julho de 2025, quando o mandato de Alexandre Cordeiro, apadrinhado político do senador Ciro Nogueira, expirou. Desde então, o órgão tem sido comandado por presidentes interinos, uma situação que, segundo fontes do Planalto, reflete a dificuldade de aprovar nomeações no Senado sem consentimento da cúpula da Casa.
Lula expressou incômodo com senadores que agem como se fossem os verdadeiros donos das diretorias das agências, reduzindo o Poder Executivo a um papel secundário e dificultando a governabilidade. A preferência do Palácio do Planalto por manter os interinos na presidência do Cade é uma estratégia de resistência diante da pressão política, especialmente porque o presidente da Câmara, Davi Alcolumbre, e seus aliados pressionam pela indicação do conselheiro Carlos Jacques, que não agrada ao governo.
Além do impasse no Cade, a presidência da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) também está vaga e sob comando de interinos, o que reforça o quadro de incerteza e paralisação nas agências reguladoras, setores estratégicos que gerenciam concessões bilionárias.
Esse cenário espelha uma perda considerável de força política do Executivo frente ao Legislativo, alimentada por rejeições emblemáticas, como a do ex-ministro Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal, que aumentam a resistência do Senado às indicações presidenciais sem negociações prévias. Lula, portanto, sinaliza publicamente o desgaste e as limitações do governo numa arena que deveria ser de comando do Executivo, mas que hoje é marcada por um loteamento que dificulta a gestão e a estabilidade institucional.









