Em celebração à recente saída do Brasil do Mapa da Fome, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a imprescindibilidade de políticas públicas consistentes e do engajamento governamental no combate à insegurança alimentar. A declaração ocorreu durante a reunião plenária do Conselho Nacional de Segurança Alimentar e Nutricional (Consea), onde Lula ressaltou a necessidade de envolver toda a sociedade nesse processo.
O presidente criticou a abordagem superficial de alguns governantes em relação ao problema da fome, defendendo ações concretas e sensíveis às necessidades da população vulnerável. “Não dá para ter política ‘quebra-galho’ para resolver o problema da fome. A gente está provando que não se resolve isso se não tiver política pública de estado”, afirmou Lula, enfatizando a importância de um compromisso contínuo e estruturado.
Visivelmente emocionado, Lula compartilhou experiências pessoais de dificuldades enfrentadas no passado, quando, por falta de recursos, se via impossibilitado de almoçar no trabalho. “Os companheiros ficavam perguntando se eu não ia comer, e dizia que não estava com fome. E cada vez que eles colocavam um sanduíche de mortadela na boca, eu imaginava que era eu que estava mordendo aquele sanduíche”, relatou, evidenciando o impacto da fome na dignidade humana.
A saída do Brasil do Mapa da Fome, divulgada pela FAO/ONU, representa um importante avanço, embora o presidente tenha salientado que o trabalho ainda não está concluído. Segundo Elisabetta Recine, presidenta do Consea, apesar do progresso, o país ainda enfrenta o desafio de garantir segurança alimentar para 7 milhões de pessoas em situação de vulnerabilidade.
Recine enfatizou a importância de políticas públicas integradas e focadas para alcançar aqueles que mais precisam. “Voltamos a sair do Mapa da Fome em dois anos, e isso mostra que por mais que nós tenhamos chegado a uma situação dramática no nosso país, nós não esquecemos a lição”, concluiu, ressaltando a capacidade do Brasil em superar desafios e construir um futuro com segurança alimentar para todos.





