Iniciada na Amazônia brasileira, a Cúpula de Belém antecede a COP30, reunindo líderes globais convocados pelo Presidente Lula. O objetivo central é fortalecer o compromisso multilateral e acelerar ações urgentes contra a crise climática. Lula enfatiza a necessidade de ir além dos discursos, buscando ações efetivas para restaurar a confiança nas COPs e na política internacional.
O presidente ressalta que ações coletivas baseadas na ciência já demonstraram a capacidade de superar grandes desafios, como a proteção da camada de ozônio e a resposta global à pandemia de Covid-19. Inspirado pela Cúpula da Terra de 1992, sediada no Brasil, Lula busca um novo paradigma para a preservação do planeta, com metas ambiciosas de redução de gases de efeito estufa, incluindo o fim do desmatamento até 2030 e a triplicação do uso de energia renovável.
A escolha da Amazônia como sede da COP30 oferece uma oportunidade para políticos, diplomatas, cientistas, ativistas e jornalistas vivenciarem a realidade da região. Lula destaca a importância de que as COPs sejam mais do que simples feiras de ideias, devendo promover um contato direto com a realidade e ações concretas no combate à crise climática. “Queremos que o mundo veja a real situação das florestas, da maior bacia hidrográfica do planeta e dos milhões de habitantes da região”, afirma o presidente.
Lula defende que o combate à crise climática exige recursos e o reconhecimento do princípio das responsabilidades comuns, porém diferenciadas. Ele argumenta que o Sul Global precisa de maior acesso a recursos, não como caridade, mas como justiça, pois os países ricos foram os maiores beneficiados pela economia baseada em carbono. O Brasil, segundo o presidente, está fazendo sua parte, com a redução pela metade da área desmatada na Amazônia nos últimos dois anos.
Em Belém, será lançado o Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF), um fundo de investimento que remunerará aqueles que mantiverem suas florestas em pé e investirem no fundo. O Brasil lidera com um investimento de US$ 1 bilhão no TFFF, esperando que outros países sigam o exemplo. Adicionalmente, o Brasil se comprometeu a reduzir entre 59 e 67% suas emissões, abrangendo todos os gases de efeito estufa e todos os setores da economia, convidando outros países a apresentarem NDCs ambiciosas e a implementá-las de forma efetiva.
Para Lula, a transição energética é fundamental para cumprir a NDC brasileira, aproveitando sua matriz energética limpa, com 88% da eletricidade vinda de fontes renováveis. O presidente também destaca a importância de direcionar recursos da exploração do petróleo para financiar essa transição. Ele enfatiza que as pessoas devem estar no centro das decisões políticas sobre o clima, com planos de transição justa e adaptação que combatam as desigualdades.
Lula alerta que 2 bilhões de pessoas não têm acesso a tecnologias e combustíveis limpos para cozinhar, enquanto 673 milhões ainda vivem com fome no mundo. Em resposta, será lançada uma Declaração sobre Fome, Pobreza e Clima, ligando a luta contra o aquecimento global ao combate à fome. Por fim, Lula defende a reforma da governança global, propondo a criação de um Conselho de Mudança do Clima da ONU, vinculado à Assembleia Geral, para garantir que os países cumpram suas promessas.
Fonte: http://www.folhabv.com.br










