Empresário critica intervenção judicial que impede reestruturação e alerta para ambiente hostil a empresas no Brasil

Luciano Hang critica duramente decisão judicial que suspendeu demissões nas Casas Bahia e expõe falta de segurança jurídica e intervenção excessiva do Estado como agravantes da crise econômica no varejo brasileiro.
O empresário Luciano Hang, dono da Havan, não poupou críticas ao comentar a crise da Casas Bahia, que acumula um prejuízo de R$ 10,1 bilhões, fechamento de 298 lojas e demissão de 1,9 mil funcionários. O estopim da reação foi a decisão da Justiça que suspendeu as demissões planejadas pela varejista em recuperação judicial, alegando falta de segurança jurídica e excesso de intervenção estatal.
Para Hang, a interferência do governo na gestão privada é um entrave que sufoca o setor produtivo nacional, num ciclo vicioso em que o aumento dos gastos públicos e da dívida elevam as taxas de juros, encarecem o crédito e retraem o consumo das famílias. “Parece piada, mas é o Brasil real”, ironizou o empresário.
Ele afirmou ainda que impedir medidas de contenção de custos compromete a sobrevivência das empresas, arriscando empregos e toda a operação no longo prazo. “Quem paga salários e prejuízos? Quem conhece as contas? Depois reclamam por que é tão difícil empreender no Brasil”, questionou.
A crise das Casas Bahia se agravou com o pedido de recuperação judicial protocolado no Tribunal de Justiça de São Paulo, revelando passivo de R$ 17,3 bilhões e dificultando pagamentos a trabalhadores, que enfrentam incertezas sobre verbas rescisórias. A tentativa de financiamento de R$ 1 bilhão e a liberação de depósitos judiciais buscam conter o colapso financeiro.
Enquanto isso, a marca reduz sua presença física no país, sinalizando um duro ajuste no varejo brasileiro, diante de um quadro macroeconômico desfavorável impactado por juros altos, custo do crédito e forte intervenção do Estado.









