Na política, divergências acontecem. Mudanças de lado também. Mas existe uma linha que separa estratégia de falta de lealdade. E, no caso de Sergio Moro, essa linha parece ter sido cruzada repetidas vezes.

O que se acumula ao longo de sua trajetória não são episódios isolados, mas um padrão de traição política.
Nos bastidores, tenta-se construir a narrativa de que Flávio Bolsonaro estaria alinhado com Moro dentro do PL. Mas é difícil imaginar que alguém com memória política ignore o histórico recente. Flávio sabe que a traição já foi regra nessas relações.
Foi Moro quem deixou o governo de Jair Bolsonaro rompendo com quem o colocou no centro do poder. Saiu atirando contra o presidente, o governo e sua família — um episódio claro de falta de lealdade.
Depois, veio Álvaro Dias. Moro não apenas foi acolhido, como dizia publicamente que Álvaro seria uma espécie de “pai” na sua trajetória política. O desfecho: traição. Tornou-se adversário direto de quem o projetou.
Com Deltan Dallagnol, o roteiro foi outro tipo de falta de lealdade: o silêncio no momento mais importante, durante a cassação do mandato.
No União Brasil, recebeu estrutura, respaldo e projeto. Mais do que isso: o partido bancou um desgaste interno significativo, inclusive com integrantes do PP — seu parceiro de federação — por conta dos movimentos de Moro no Paraná. Ainda assim, o que se viu foi mais uma ruptura.
E o caso mais recente escancara o padrão: Cristina Graeml. Foi o próprio Moro quem a convidou e a levou para o União Brasil, garantindo um projeto conjunto ao Senado. Caminharam pelo Paraná, construíram essa narrativa lado a lado. Ela confiou. Ele saiu. Mais uma vez, traição.
Diante disso, cabe uma pergunta simples: se os papéis fossem invertidos e Moro fosse quem tivesse a legenda nas mãos para oferecer a Flávio Bolsonaro, ele estaria tranquilo apenas com a palavra de Moro?
Pelo histórico, a resposta parece óbvia.
Porque, no caso de Moro, a exceção não é a traição.
É a lealdade.










