Juliana Soares: De vítima de feminicídio a voz contra a violência em Natal


O dia 26 de julho marcou um ponto de virada na vida de Juliana Soares, administradora de 35 anos. Câmeras de segurança registraram o momento em que ela foi brutalmente agredida com 60 socos pelo ex-namorado em um elevador em Ponta Negra, Natal. A divulgação do vídeo nas redes sociais gerou indignação e expôs a dura realidade da violência contra a mulher no Brasil.

Juliana, agora um símbolo involuntário de resistência, superou as agressões e compartilha sua história. “Eu não pensei que fosse sobreviver, mas se eu consegui me levantar daquele elevador, outras mulheres também podem”, declarou ao receber a Comenda Maria da Penha na Câmara Municipal de Natal. Sua luta busca oferecer acolhimento e apoio para outras vítimas.

Os números da violência contra a mulher no Brasil são alarmantes. Em 2024, foram registrados 1.492 feminicídios, o maior número desde a tipificação do crime em 2015, segundo o Anuário Brasileiro de Segurança Pública. Além disso, o país contabilizou 87.545 casos de estupro e estupro de vulnerável, evidenciando a urgência de medidas eficazes.

A advogada e pesquisadora Brenda Munici Fernandes Chaves apresentou dados impactantes durante a solenidade. Só em 2024, o serviço 190 foi acionado 1,167 milhão de vezes para casos de violência contra mulheres. Brenda ressaltou: “Esses números mostram que não estamos seguras em lugar algum… A violência é múltipla e atravessa cor, classe social, idade e identidade de gênero”.

O caso de Juliana Soares revela uma escalada de violência, precedida por xingamentos, controle e isolamento, ilustrando o chamado “ciclo da violência”. Em resposta, a Frente Parlamentar da Mulher em Natal propõe projetos para fortalecer a rede de proteção e instalar a Procuradoria da Mulher no Legislativo municipal.

Vereadoras e deputados reconhecem que as leis existentes não são suficientes. A vereadora Brisa Bracchi (PT) confrontou a mentalidade de que violência doméstica é assunto privado: “Se antes se dizia que em briga de marido e mulher ninguém mete a colher, hoje respondemos: se tem violência contra a mulher, a gente mete a colher, sem medo. Porque só assim o ciclo é interrompido”.

Juliana, consciente de seu papel como símbolo, assume a responsabilidade de usar sua experiência para ajudar outras mulheres. Sua história demonstra que a resistência é possível, mas necessita de apoio coletivo. O futuro exige ações concretas da sociedade e do poder público para transformar a indignação em proteção efetiva, pois, como ecoou durante o evento, “nada justifica a violência contra a mulher. E nada, absolutamente nada, pode mais ser tolerado”.

Fonte: http://agorarn.com.br


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