John Kerry critica recuo de empresas em investimentos em energia limpa devido a Trump

Ex-secretário de Estado dos EUA expressa preocupação com o medo que CEOs têm de investir em energia renovável

John Kerry critica recuo de empresas em investimentos em energia limpa devido a Trump
John Kerry em evento sobre mudanças climáticas. Foto: Governo Federal

John Kerry expressa choque com recuo de CEOs em investimentos em energia limpa por medo de repercussões políticas.

John Kerry critica recuo de investimentos em energia limpa

O ex-secretário de Estado dos EUA, John Kerry, manifestou estar “chocado” com a quantidade de CEOs americanos que estão recuando em seus investimentos em energia limpa, influenciados pelo medo das repercussões políticas associadas à administração de Donald Trump. Kerry, que também é enviado climático do presidente Joe Biden, enfatizou que esses medos têm paralisado ações que poderiam avançar significativamente a causa ambiental.

Durante uma palestra no Chatham House, em Londres, Kerry afirmou que muitos investidores estão hesitando em financiar projetos de energia renovável, apesar dos claros benefícios econômicos. “Não é que eles não acreditem na mudança climática ou não queiram avançar. Eles estão apenas com medo. Estou chocado com o quanto os CEOs estão assustados”, comentou Kerry. Ele destacou que a retórica de Trump, que descreve a mudança climática como “a maior fraude já perpetrada no mundo”, contribui para esse ambiente de insegurança.

Ações climáticas e interesses políticos

Kerry observou que, embora as empresas globais continuem a desenvolver soluções para atender à demanda por energia limpa, o clima de incerteza política nos EUA afeta diretamente suas decisões. O ex-secretário de Estado mencionou que, no último ano, foram gastos US$ 2,2 trilhões em projetos de energia renovável globalmente, mas a hesitação de alguns CEOs, que anteriormente eram otimistas, prejudica o avanço necessário para enfrentar a crise climática.

Além disso, Kerry abordou um memorando do cofundador da Microsoft, Bill Gates, que sugere que a ONU priorize vacinas em vez de mudanças climáticas. Ele defendeu Gates, ressaltando seu comprometimento com a causa ambiental, mas criticou a confusão gerada pelo memorando, que foi mal interpretado por alguns setores.

A resistência à mudança

Kerry também apontou que a ação climática está sendo atacada por interesses políticos e da indústria fóssil, que buscam desmerecer a ideia de transição para uma economia verde. “Há um objetivo estratégico muito claro para ridicularizar a mudança climática”, disse ele. Portanto, a resposta deve ser mostrar aos cidadãos que as soluções verdes não apenas são viáveis, mas também benéficas economicamente.

Ele argumentou que é fundamental garantir que as pessoas entendam que a economia verde pode resultar em contas menores e uma melhor qualidade de vida. “Precisamos provar que a eletricidade verde é melhor, mais barata e não causa danos”, enfatizou Kerry.

O papel dos EUA nas negociações climáticas

Kerry também refletiu sobre a falta de progresso nas negociações climáticas da ONU, ressaltando a importância da liderança dos EUA nessas discussões. Ele apontou que o afastamento dos Estados Unidos durante a COP30 permitiu que a China tivesse mais liberdade para agir sem o mesmo nível de escrutínio. Segundo ele, a liderança chinesa sobre questões climáticas é impulsionada pelo medo de uma recessão econômica, que, por sua vez, está ligada à continuidade do uso de carvão.

Ele concluiu afirmando que a transição para uma economia de energia limpa não é apenas uma questão de moralidade, mas uma necessidade estratégica e econômica que pode melhorar a saúde pública e a qualidade de vida em geral. “Os países estão fazendo essa transição por interesse próprio, saúde e crescimento econômico”, finalizou Kerry.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Governo Federal