Denúncia da coligação adversária aponta pagamentos irregulares e questiona origem dos recursos usados em levantamentos que favoreceram os candidatos

A coligação do MDB em Alagoas protocolou ação no TRE-AL contra JHC, Arthur Lira e outros, alegando caixa 2 em pagamentos por pesquisas eleitorais entre abril e setembro de 2026.
O Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL) recebeu uma ação da coligação Pra Alagoas Fazer História de Novo, liderada pelo MDB, contra o candidato ao governo João Henrique Caldas (JHC, PSDB), seu vice Célia Rocha, os candidatos ao Senado Marina Cândia (PSDB) e Arthur Lira (PP) e respectivos suplentes. A denúncia aponta suposto uso de caixa 2 para custear pesquisas eleitorais realizadas entre abril e setembro de 2026.
Segundo o processo, a empresa Agora Alagoas Comunicação Ltda pagou R$ 329 mil por sete pesquisas eleitorais feitas pelo Grupo de Pesquisa São Judas Tadeu Ltda (TDL Pesquisas), ligada a Tadeu Lira, primo de Arthur Lira. Nenhum desses valores consta nas prestações de contas dos candidatos ou partidos. A empresa que efetuou os pagamentos possui capital social de R$ 5 mil e é classificada como microempresa.
A ação destaca que o montante gasto supera em mais de 65 vezes o capital da empresa e corresponde a cerca de 91% do faturamento anual permitido para seu porte, o que levanta dúvidas sobre a origem dos recursos. As sócias da Agora Alagoas têm vínculos com a Prefeitura de Maceió, administrada por JHC até abril de 2026. Uma sócia é servidora da Secretaria Municipal de Gestão de Pessoas e Patrimônio, nomeada durante a gestão de JHC, e a outra é mãe de um comissionado ligado à mesma secretaria.
Além disso, a ação aponta que as pesquisas foram publicadas simultaneamente em veículos de uma mesma rede de comunicação, que já foi punida pelo TRE-AL por divulgação coordenada de conteúdo favorável a JHC. As empresas responsáveis pela divulgação pertencem ao candidato e ao seu pai, ex-deputado João Caldas.
Duas das pesquisas teriam sido impulsionadas financeiramente pela página do portal Francês News, mantido pela Alagoas Comunicação Ltda, sociedade atribuída hoje a JHC e seu pai. O dono do instituto de pesquisas teria feito declarações públicas de apoio à família Caldas durante transmissões na rede de comunicação.
A coligação autora da ação enquadra a situação como captação e gasto ilícito de recursos, previsto no artigo 30-A da Lei das Eleições (Lei nº 9.504/1997), e abuso de poder econômico. Pede a cassação dos registros ou diplomas dos candidatos beneficiados e a declaração de inelegibilidade, baseando-se em entendimento do Tribunal Superior Eleitoral que considera ilícita a pesquisa eleitoral paga com recursos não identificados e não registrados nas contas de campanha.
O processo também requer que as pessoas e empresas envolvidas apresentem notas fiscais, contratos e documentos que esclareçam a origem dos recursos usados. Até o momento, o TRE-AL ainda não analisou a ação.
Fonte: metropoles.com










