O governo brasileiro, por meio do Itamaraty, manifestou forte repúdio às declarações da Casa Branca que sinalizaram a possibilidade de sanções econômicas ou intervenção militar em resposta ao julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro e outros réus envolvidos em suposta trama golpista. A nota oficial, divulgada na noite de terça-feira, enfatiza a inaceitabilidade de qualquer forma de ingerência externa nos assuntos internos do país.
“O governo brasileiro repudia a tentativa de forças antidemocráticas de instrumentalizar governos estrangeiros para coagir as instituições nacionais”, declarou o Itamaraty, reafirmando o compromisso com a defesa da democracia e da soberania nacional. A reação surge após a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, afirmar que o governo dos EUA, sob a liderança do presidente Donald Trump, considera a liberdade de expressão uma prioridade e não hesitará em usar o poderio econômico e militar para protegê-la globalmente.
O presidente Lula, durante um discurso em Manaus, também abordou o tema, criticando a postura de aliados de Bolsonaro que, segundo ele, buscaram apoio externo para prejudicar o Brasil. “Esses caras tiveram a pachorra de mandar gente para os Estados Unidos para falar mal do Brasil e para condenar o Brasil”, criticou Lula, evidenciando a tensão política em torno do julgamento em curso no Supremo Tribunal Federal (STF).
A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, elevou o tom das críticas, classificando como “inadmissível” a ameaça de invasão ao Brasil para proteger Bolsonaro. Ela ainda acusou a família Bolsonaro de orquestrar uma conspiração contra o país, buscando sanções e intervenções externas.
O julgamento de Bolsonaro e seus aliados no STF, que apura a responsabilidade dos réus na tentativa de golpe, segue em andamento. A Primeira Turma do STF retomou a sessão, com os ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino já tendo votado pela condenação. A expectativa é que os ministros Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin apresentem seus votos na próxima sessão.










