Operação envolvendo valorização atípica de direitos creditórios gera inquérito com suspeitas de fraude e desvios

A investigação sobre créditos de usinas do Banco Master foi encaminhada ao STF para apurar valorização suspeita e possíveis desvios.
Contexto da investigação sobre créditos de usinas do Banco Master
A investigação sobre créditos de usinas do Banco Master vem ganhando destaque desde que foi revelada uma operação com valorização atípica de direitos creditórios da Usina Santa Tereza, em Olinda, Pernambuco. Em 2020, o Banco Master adquiriu créditos que haviam sido comprados cinco dias antes por outro fundo por menos da metade do preço pago pelo banco, representando uma valorização de 235%. Essa valorização sem justificativa aparente motivou a abertura de um inquérito pela Polícia Federal, que passou a apurar possíveis fraudes e manipulações financeiras envolvendo esses ativos.
Envio dos autos ao Supremo Tribunal Federal e envolvimento do Ministério Público Federal
Em 27 de fevereiro de 2026, o juiz federal autorizou o envio dos autos da investigação ao Supremo Tribunal Federal (STF), atendendo ao pedido do Ministério Público Federal. O MPF argumentou que os fatos investigados possuem relação direta com outros inquéritos em tramitação na corte, envolvendo suspeitas semelhantes sobre fundos ligados ao Banco Master. A procuradora Luciana da Costa Pinto destacou a existência de conexões e a necessidade de unificação das apurações para evitar decisões conflitantes e aumentar a eficiência das investigações.
Operações financeiras suspeitas e participação de Nelson Tanure
A apuração aponta que o Banco Master realizou negociações envolvendo cerca de R$ 8,7 bilhões em direitos creditórios de usinas falidas, adquiridos de fundos administrados por gestoras que estão sob investigação por fraudes. Entre os envolvidos está o empresário Nelson Tanure, apontado como sócio oculto do Banco Master pela Procuradoria-Geral da República. Empresas associadas a Tanure teriam recebido recursos desviados do banco e participaram das transações, incluindo uma offshore nas Bahamas que detinha cotas em fundos com ativos milionários. A complexa cadeia de propriedade e repasses entre fundos sugere um esquema para inflar preços e desviar recursos, causando prejuízos ao banco.
Fundos de investimento e manobras contábeis na cadeia dos direitos creditórios
Destacam-se fundos como o Amazonita FIDC e Luna FIDC, que atuaram na compra e venda de direitos creditórios entre si, com valorizações expressivas e suspeitas de manipulação de preços. O Amazonita, gerido pela Trustee, teve participação direta do Banco Master como cotista principal, e movimentações financeiras indicam repasses para offshores na Suíça. Investigações anteriores, como a Operação Carbono Oculto, também apontaram para manobras contábeis para mascarar os valores reais dos ativos desses fundos. Conversas interceptadas pela Polícia Federal revelam discussões internas sobre a necessidade de ajustar valores para evitar impactos negativos nos balanços do banco.
Respostas das defesas e panorama atual da apuração
As defesas dos envolvidos, incluindo as do Banco Master, de Nelson Tanure e de gestores vinculados ao Amazonita, afirmam que as operações foram legais e que os ativos foram avaliados conforme critérios técnicos e auditorias independentes. Destacam que as investigações ainda não resultaram em conclusões técnicas ou decisões judiciais que comprovem irregularidades. Apesar disso, o processo segue em curso no STF com o objetivo de esclarecer as suspeitas e apurar eventuais responsabilidades.
Implicações para o setor financeiro e jurídico
A investigação sobre os créditos de usinas do Banco Master evidencia a complexidade dos esquemas financeiros envolvendo direitos creditórios e fundos de investimento. A articulação entre gestoras, offshores e fundos com estruturas opacas levanta questões sobre a transparência do mercado financeiro e a eficácia da regulação. O desdobramento judicial poderá impactar não apenas os envolvidos diretos, mas também estabelecer precedentes para o combate a fraudes financeiras e proteção dos investidores.
Fonte: noticias.uol.com.br










