Revolta que visava depor Getúlio Vargas deixou traumas e fortaleceu o discurso anticomunista

A Intentona Comunista de 1935 buscava depor Getúlio Vargas e instaurar um governo socialista, deixando um legado de medo.
A Intentona Comunista de 1935: Um levante que marcou a história
Em 1935, o Brasil vivia um cenário de insatisfação social e política. A insurreição marcada pela Intentona Comunista buscava depor o presidente Getúlio Vargas e instaurar um governo socialista nos moldes da União Soviética. O levante, que teve início em Natal e se espalhou para outras cidades como Recife e Rio de Janeiro, foi rapidamente contido, mas deixou um legado que reverbera até hoje no discurso anticomunista presente em segmentos da sociedade brasileira.
Contexto histórico da Intentona
O movimento, liderado por militares e civis descontentes com o governo Vargas, teve como cúmplices integrantes da Aliança Nacional Libertadora (ANL), uma frente que unia comunistas, socialistas e democratas. Historicamente, a revolta foi um reflexo das tensões da época, acentuadas pela Revolução Russa de 1917, que ampliou o medo do comunismo em diversas nações, incluindo o Brasil. O cientista político Paulo Ribeiro da Cunha observa que esses temores formaram a base para um discurso anticomunista que cresceu exponencialmente após a Intentona.
A eclosão do levante
No dia 23 de novembro de 1935, a revolta começou no Rio Grande do Norte, onde um grupo de militares sob o comando do sargento Quintino Clementino de Barros tomou o quartel e declarou um governo revolucionário. Durante três dias, os insurgentes dominaram Natal, promovendo ações populistas como a gratuidade do transporte público e confisco de alimentos. Essa experiência efêmera foi descrita como o ‘primeiro e único governo soviete’ na história do Brasil.
Reação do governo e consequências
A resposta do governo Vargas foi rápida e violenta. O levante foi sufocado em poucos dias, e as autoridades federais reagiram com repressão, resultando em perseguições a militantes de esquerda. A Intentona não apenas falhou em seu objetivo, mas também pavimentou o caminho para a instauração da ditadura do Estado Novo em 1937, quando Vargas consolidou seu poder sob a justificativa de uma ‘ameaça comunista’.
Legado da Intentona na política brasileira
Os ecos da Intentona Comunista ainda podem ser ouvidos na política contemporânea. O discurso anticomunista, que ganhou força durante e após o levante, moldou a narrativa política brasileira por décadas. A percepção de uma ameaça comunista tornou-se um recurso utilizado por grupos políticos para justificar ações autoritárias e ações de repressão, perpetuando um ciclo de medo e controle. O historiador Homero de Oliveira Costa destaca que, embora a insurreição tenha sido rapidamente esmagada, o trauma que deixou na memória política do Brasil é profundo e duradouro.
Considerações finais
A Intentona Comunista, com seus desdobramentos e consequências, é um exemplo claro de como eventos históricos podem moldar a política de uma nação. O imaginário da ameaça comunista, alimentado por narrativas de medo e repressão, continua a influenciar o debate político brasileiro, tornando-se uma parte indelével da história do país. O estudo desse período é fundamental para entender as dinâmicas políticas atuais e as justificativas utilizadas para ações governamentais até os dias de hoje.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
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