Informalidade Persiste: Apenas um Quarto dos Trabalhadores Autônomos Possui CNPJ no Brasil


Um levantamento recente do IBGE revela um cenário de persistente informalidade entre os trabalhadores por conta própria no Brasil. Em 2024, apenas 25,8% desses profissionais, o que corresponde a 6,6 milhões de pessoas em um universo de 25,5 milhões, possuíam registro no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ), formalizando assim suas atividades.

Apesar desse baixo índice, a pesquisa indica um avanço em relação aos anos anteriores. Em 2012, apenas 15% dos trabalhadores autônomos eram formalizados, número que subiu para 20,2% em 2019, demonstrando uma gradual, porém lenta, adesão à formalização.

Os dados são provenientes de uma edição especial da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua, conduzida pelo IBGE. A pesquisa, que acompanha a evolução do mercado de trabalho desde 2012, excluiu os anos de 2020 e 2021 devido às dificuldades de coleta de dados impostas pela pandemia de Covid-19.

A formalização através do CNPJ pode trazer diversas vantagens para o trabalhador autônomo, como a possibilidade de emitir notas fiscais, acessar linhas de crédito e serviços bancários empresariais, contratar funcionários de forma legal e garantir benefícios previdenciários.

No entanto, a adesão ao CNPJ varia significativamente entre os diferentes setores de atividade. O comércio lidera o ranking, com 33,2% dos trabalhadores por conta própria formalizados, seguido por serviços (31,5%), indústria geral (23,4%), construção (15,2%) e agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (7,2%).

Segundo William Kratochwill, analista da pesquisa, o tamanho do negócio pode ser um fator determinante para a formalização. “Como o empreendimento que eles têm ainda é pequeno, não veem essa necessidade, ainda não foram demandados a ter uma formalização da sua atividade”, avalia.

A escolaridade também se mostra um fator relevante. A pesquisa aponta que quanto maior o nível de instrução, maior a probabilidade de o trabalhador autônomo possuir CNPJ. Entre aqueles sem instrução ou com fundamental incompleto, apenas 11,2% são formalizados, enquanto entre os que possuem ensino superior completo, esse percentual sobe para 48,4%.

“A baixa escolaridade, às vezes, limita a pessoa em relação ao conhecimento de como fazer [para se formalizar]”, explica o pesquisador do IBGE, ressaltando a importância do acesso à informação para impulsionar a formalização entre os trabalhadores autônomos.

Outro dado relevante da pesquisa é a baixa taxa de sindicalização entre os trabalhadores por conta própria. Enquanto na população ocupada como um todo o nível de sindicalização é de 8,9%, entre os autônomos esse índice é de apenas 5,1%.

Fonte: http://jornaldebrasilia.com.br


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