O influenciador digital Rafael Francisco Cavalcanti da Silva, conhecido como ‘Rafael Chocolate’, foi condenado pela Justiça de Pernambuco a pagar R$ 50 mil em indenizações por danos morais. A decisão judicial se refere a dois casos em que vítimas foram expostas em vídeos de pegadinhas produzidos pelo youtuber em Recife.
Com um alcance massivo de 900 mil seguidores no Instagram e 5,4 milhões de inscritos no YouTube, Rafael Chocolate é conhecido por suas pegadinhas com desconhecidos. As ações incluem simulações de deficiência ou engasgo ao pedir informações, muitas vezes sem o consentimento das pessoas envolvidas.
As vítimas alegam que não autorizaram o uso de suas imagens e que se sentiram constrangidas com a exposição nos vídeos. Em um dos casos, a vítima relatou ter desenvolvido problemas psiquiátricos severos, incluindo esquizofrenia, além de ter perdido o emprego devido à repercussão do incidente.
O primeiro caso, ocorrido em 2019, envolveu um homem que teve um balde jogado em sua cabeça por Rafael Chocolate em plena rua. Apesar de ter solicitado a não divulgação do vídeo, o influenciador o publicou, borrando apenas o rosto da vítima. Mesmo assim, o homem foi reconhecido e ridicularizado, o que desencadeou transtornos de ansiedade, depressão e, posteriormente, esquizofrenia.
“Ele desenvolveu ataques de pânico, evoluindo para uma esquizofrenia. Atualmente recebe tratamento psicológico, mas, infelizmente, não apresenta quadro de melhora. Não possui qualquer condição de trabalhar ou de ter uma vida comum”, relatou a advogada da vítima, Amanda Cavalcanti.
O segundo caso, de 2022, envolveu um vendedor ambulante senegalês, Modou Lo, que foi vítima de uma pegadinha em que mulheres se sentavam em seu colo sem seu consentimento. O vídeo, que alcançou 8 milhões de visualizações, expôs o vendedor a piadas e memes de cunho sexual, gerando grande constrangimento.
De acordo com Alex Firmino, advogado do senegalês, a equipe de Rafael Chocolate não respondeu aos contatos após o incidente. “Horas depois, ele começou a ser motivo de chacota, porque várias pessoas passaram a postar fotos e vídeos dele na internet, fazendo piadas e memes de cunho sexual”, explicou Firmino.
A Justiça já havia condenado Rafael Chocolate em primeira instância em ambos os casos. O desembargador Adalberto de Oliveira Melo afirmou que a situação vexatória imposta às vítimas configura “um claro caso de abuso da liberdade de expressão”, especialmente quando há interesse comercial envolvido na produção e divulgação dos vídeos. A defesa de Rafael Chocolate não foi localizada para comentar o caso.










