Infecções por hanseníase diminuem com avanço da atenção primária no Brasil


Redução de casos reflete expansão da saúde de família e ações estratégicas de combate à doença no país

Infecções por hanseníase diminuem com avanço da atenção primária no Brasil
Paciente em atendimento durante campanha de combate à hanseníase. Foto: Folhapress

Infecções por hanseníase no Brasil caíram 29% entre 2014 e 2024, impulsionadas pela expansão da atenção primária e saúde de família.

Queda de infecções por hanseníase reflete avanços na atenção primária em saúde

As infecções por hanseníase no Brasil diminuíram significativamente entre 2014 e 2024, com uma redução de 29% nos novos casos, de acordo com o Sistema de Informação de Agravos e Notificação (Sinan). Essa queda gradual, que se acelerou a partir de 2019, acompanha a expansão da estratégia de saúde de família em regiões historicamente carentes de atendimento básico. A médica de família Larissa Bordalo destaca que, apesar de alguma subnotificação decorrente da pandemia da Covid-19, os dados indicam uma tendência positiva no controle da doença.

Perfil epidemiológico e desafios do combate à hanseníase hoje

O Brasil mantém a segunda posição global em casos absolutos de hanseníase, atrás apenas da Índia. A doença, causada pela bactéria Mycobacterium leprae, apresenta maior incidência em áreas com alta vulnerabilidade social, afetando principalmente homens, pessoas com baixa escolaridade e renda. A faixa etária infantil, especialmente entre 0 e 14 anos, registrou as maiores quedas percentuais. No entanto, o aumento discreto em idosos acima de 80 anos evidencia a necessidade de atenção contínua. O médico Arthur Fernandes observa que, apesar do fácil tratamento oferecido pelo SUS, a hanseníase ainda é subpriorizada nos planos de saúde pública, o que demanda maior compromisso governamental.

Importância da atenção primária e estratégias para eliminar a doença

A ampliação da Atenção Primária à Saúde, especialmente via equipes de saúde de família, tem sido a estratégia mais eficaz no combate à hanseníase. O acompanhamento clínico contínuo, diagnóstico precoce e adesão à poliquimioterapia são fundamentais para interromper a cadeia de transmissão e evitar sequelas graves. Municípios que ampliaram seus serviços básicos, como no Maranhão com o programa Mais Médicos, observaram progressos importantes. O Ministério da Saúde planeja alcançar 87% dos municípios sem novos casos em menores de 15 anos por cinco anos consecutivos, objetivo alinhado à Organização Mundial da Saúde.

Desafios atuais e perspectivas futuras para o controle da hanseníase

Apesar do declínio dos casos, especialistas apontam que a hanseníase permanece uma doença negligenciada, exigindo maior visibilidade e investimento em políticas públicas. A subnotificação durante a pandemia e a persistência da doença em focos regionais indicam que o combate precisa ser intensificado. Estudos recentes com vacinas, como os conduzidos pela Fundação Oswaldo Cruz em parceria com institutos internacionais, oferecem esperança para o fortalecimento das medidas preventivas e o controle definitivo da enfermidade.

Sintomas, transmissão e importância do diagnóstico precoce

A hanseníase afeta a pele, nervos periféricos, olhos e vias aéreas superiores, sendo transmitida principalmente pelo contato prolongado com pessoas não tratadas. A doença não se espalha por contato casual, como apertos de mão ou compartilhamento de objetos. Os sintomas iniciais podem ser discretos, dificultando a identificação sem exames adequados. Portanto, o diagnóstico precoce é crucial para reduzir danos e evitar a disseminação, sendo um dos principais focos das equipes de saúde de família.

A mobilização em torno do Dia Mundial Contra a Hanseníase enfatiza a necessidade de ampliar o acesso aos serviços, fortalecer a atenção primária e apoiar pesquisas para erradicação da doença no Brasil.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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