Exportadores temem que retaliação dos EUA prejudique setor que depende em mais de 60 % do mercado americano
Sob a pressão de Trump, o ex-presidente Jair Bolsonaro ganhou respaldo público do mandatário americano, enquanto atores da indústria de defesa no Brasil já avaliam os desdobramentos sobre exportações brasileiras de armas e munições. A retaliação tarifária de 50 %, anunciada em julho de 2025, pode atingir duramente um setor que exportou entre US$ 323 milhões e US$ 528 milhões em armas para os EUA em 2024 .

Dependência do mercado americano e riscos à indústria
Estudos do Comex Stat mostram que os EUA absorvem cerca de 61,3 % das exportações brasileiras de armas e acessórios. Apesar disso, a imposição do tarifaço pode gerar retração imediata nas vendas ao país norte-americano. A empresa Taurus Armas, um dos principais fornecedores do setor, já sinalizou que sua fábrica nos EUA pode mitigar parte do impacto, mantendo a produção local.
O setor industrial brasileiro emprega cerca de 40 mil pessoas e inclui grandes empresas como Embraer, Avibras e Taurus . Segundo analistas, a taxação comprometida por Trump ameaça a competitividade brasileira em um mercado onde domina. Fontes do MDIC alertam que ainda é cedo para dimensionar os efeitos completos, mas a instabilidade gerada pelo recorde tarifário pode reduzir investimentos e receitas em toda a cadeia .
Reação do governo brasileiro
O presidente Lula já sinalizou que ativará a Lei da Reciprocidade Econômica para retaliação comercial, sancionada em abril com apoio do Congresso . A orientação do Planalto é garantir proteção legal ao setor industrial, além de buscar diálogo técnico para minimizar impactos nos mercados e empregos ligados ao segmento de defesa.
Donald Trump continuou sua defesa de Bolsonaro, chamando-o de “líder forte” e sugerindo que não deveria responder perante o STF, mas diante do voto popular. Esse posicionamento reforça a narrativa bolsonarista de perseguição judicial e amplia tensões diplomáticas entre Brasil e EUA .
Embora o apoio pessoal de Trump fortaleça o discurso político de Bolsonaro, para a indústria de armas, a dependência comercial permanece como motivo de preocupação crescente. Por um lado, o respaldo norte-americano pode impulsionar o apoio de parte da base conservadora no Brasil; por outro, a tarifa pode desencadear queda nas exportações.
Cenário futuro: desafios e alternativas
Para manter sua competitividade, empresas brasileiras já buscam diversificação geográfica. A produção de armas nos EUA pela Taurus foi destacada como estratégia de contenção para exportações . Ao mesmo tempo, negociações com potências como Arábia Saudita, onde a Taurus já protocolou proposta de joint venture, são apontadas como caminhos para reduzir vulnerabilidade ao mercado americano.
A pressão de Trump favorecendo Bolsonaro traz repercussões diretas à indústria de defesa no Brasil. Enquanto o agronegócio e outros setores ainda resistem, a indústria de armas, altamente dependente do mercado dos EUA, está entre as mais sensíveis. A resposta do governo federal — no plano jurídico e diplomático — será decisiva para evitar retrações drásticas que possam comprometer produção, empregos e exportações.
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