O Ministério das Mulheres e a Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados acompanharam nesta sexta-feira (31) o terceiro dia de reconhecimento dos corpos no Instituto Médico Legal (IML), no Rio de Janeiro. Familiares das vítimas da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, na Zona Norte, enfrentam a dolorosa tarefa de identificação e liberação dos entes queridos. A ação policial resultou em 117 mortes de suspeitos e quatro policiais, segundo a Polícia Civil.
Na porta do IML, o presidente da comissão, deputado federal Reimont (PT), juntamente com os deputados Jandira Feghali (PCdoB) e pastor Henrique Vieira (PSOL), prestaram apoio às famílias e cobraram celeridade no processo. Reimont informou que foi solicitada ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma tutela de urgência para acelerar o processo e garantir uma perícia externa e independente, buscando esclarecer as circunstâncias das mortes.
“A nossa preocupação também é em relação àquilo que depois vai ser o relatório final”, explicou Reimont, ressaltando a importância de detalhar as lesões encontradas nos corpos. “Nesse relatório precisa constar que tem dedo decepado, tem pessoas estranguladas, com seus dedos cortados, qual é o projétil e qual é o tipo de morte, para não ser somente aquilo que vem na declaração de óbito”.
O deputado Henrique Vieira complementou, enfatizando a necessidade de um tratamento mais humanizado com os familiares e a urgência de uma perícia externa. “É muito importante acelerar e humanizar os processos. Uma outra preocupação que nós temos é que à medida que os corpos são liberados e não chega ou não é feita uma perícia que não é daqui, isso nos preocupa”, disse.
A deputada Jandira Feghali destacou o sofrimento das famílias, muitas das quais aguardam a liberação dos corpos desde quarta-feira (29). “As pessoas querem ver, confirmar, viver esse processo. Então, a gente fez muita pressão por essa celeridade”, afirmou. Ela ainda criticou a demora na apresentação de fotografias para identificação, relatando que algumas famílias estão dormindo na rua por não terem condições de retornar para suas cidades.
Os deputados denunciaram a presença de adolescentes entre os mortos, incluindo um jovem de 14 anos de Queimados e outro de 17 anos de Cabo Frio. Jandira Feghali enfatizou que mesmo que houvesse envolvimento em atividades ilícitas, a idade dos jovens não justifica o tratamento letal. “A mídia está dizendo que é tudo bandido, tudo traficante, mas há uma família de Cabo Frio que perdeu um adolescente de 17 anos”, lamentou.
A ministra interina do Ministério das Mulheres, Eutália Barbosa, também esteve presente no IML, reforçando a preocupação do Governo Federal com o bem-estar dos familiares e a agilidade na liberação dos corpos. “O meu papel aqui, junto com as outras ministras, é a preocupação com as famílias”, disse ela. A ministra anunciou que o governo federal está à disposição para prestar apoio e assistência durante o acompanhamento do caso.
Enquanto isso, a Polícia Civil informou que todos os corpos já foram periciados e que 99 já foram identificados. Dos identificados, 42 possuíam mandados de prisão pendentes e 78 apresentavam extenso histórico criminal. O Governo Federal anunciou o envio de 20 peritos criminais da Polícia Federal para reforçar os trabalhos de segurança pública no Rio de Janeiro.
Fonte: http://odia.ig.com.br





