hipertensão silenciosa desafia rastreamento e tratamento no brasil

especialistas alertam para falhas no diagnóstico precoce e baixa adesão ao tratamento da hipertensão, maior fator de risco para infarto e AVC

hipertensão silenciosa desafia rastreamento e tratamento no brasil
Paciente com hipertensão refratária enfrenta múltiplas limitações. Foto: UOL

Especialistas destacam que a hipertensão silenciosa no Brasil sofre com falhas no rastreamento e baixa adesão ao tratamento, elevando riscos graves.

Hipertensão silenciosa e os desafios do rastreamento precoce no Brasil

A hipertensão silenciosa é uma condição que desafia o sistema de saúde brasileiro, especialmente no que se refere ao rastreamento e diagnóstico precoce. Segundo especialistas, até 90% dos pacientes não apresentam sintomas, convivendo por anos com a pressão elevada sem diagnóstico ou acompanhamento. A cabeleireira Silvia Martins, acompanhada pelo Instituto do Coração, exemplifica a gravidade do quadro quando não controlado. A Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC) e profissionais da área reforçam a necessidade de aferir a pressão arterial em todas as consultas de atenção básica, independentemente da queixa do paciente.

Impacto da hipertensão na saúde pública e no aumento de complicações cardiovasculares

A hipertensão é a doença crônica não transmissível mais comum no Brasil e o principal fator de risco para infarto e acidente vascular cerebral (AVC). Os dados do Ministério da Saúde indicam que os atendimentos ambulatoriais relacionados à hipertensão triplicaram entre 2022 e 2025, refletindo o aumento da demanda e da prevalência estimada em 30% da população. Quando não controlada, a hipertensão eleva o risco de insuficiência cardíaca, comprometimento renal e acelera processos como a aterosclerose, levando a complicações severas. Esses fatores sobrecarregam o sistema público e aumentam a mortalidade.

Barreiras na adesão ao tratamento e limitações da atenção básica no SUS

Um dos principais obstáculos para o controle da hipertensão silenciosa está na baixa adesão ao tratamento medicamentoso, que pode chegar a 50% dos pacientes com doenças crônicas no país. A necessidade de múltiplos comprimidos diários e o aparecimento de efeitos colaterais são fatores que contribuem para o abandono terapêutico. Além disso, a ausência da combinação de medicamentos em dose fixa no SUS dificulta a simplificação do tratamento. A inércia terapêutica, quando a medicação não é ajustada adequadamente, é outro problema identificado pelos especialistas.

Procedimentos avançados e a falta de acesso no sistema público

Para casos de hipertensão refratária, como o de Silvia Martins, a denervação renal é uma alternativa terapêutica que pode reduzir a pressão arterial. Este procedimento consiste na aplicação de radiofrequência nos nervos que regulam a pressão arterial, mas ainda não está disponível no SUS. A falta de avaliação para incorporação dessa tecnologia pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias (Conitec) limita o acesso da população a esse tratamento avançado, obrigando pacientes a buscar alternativas judiciais para sua realização.

Necessidade de políticas públicas eficazes para o controle da hipertensão silenciosa

Diante desse cenário, especialistas defendem a ampliação da busca ativa por pacientes hipertensos e a incorporação de medicamentos combinados ao sistema público, o que poderia aumentar a adesão e melhorar o controle da doença. Estudos indicam que o benefício econômico e clínico dessa estratégia supera os custos, reduzindo internações e complicações graves. A hipertensão silenciosa exige, portanto, uma abordagem integrada que envolva prevenção, diagnóstico precoce e tratamento eficaz para mitigar seu impacto na saúde pública brasileira.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: UOL