Mudanças climáticas ameaçam capacidade hídrica e segurança energética até 2065

Estudo da ANA projeta perdas de até 40% na geração das hidrelétricas amazônicas até 2065 devido a alterações no regime de chuvas e vazões dos rios provocadas pelo aquecimento global.
Hidrelétricas da Amazônia sob ameaça climática urgente
As hidrelétricas da Amazônia, responsáveis por grande parte da energia limpa do Brasil, enfrentam uma ameaça inédita: a perda de até 40% de sua capacidade de geração nos próximos 40 anos. Essa perspectiva é resultado de um estudo da Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA) que analisa os impactos das mudanças climáticas sobre o regime de chuvas e vazões dos rios na região norte do país.
Contexto da fragilidade hidrelétrica diante das mudanças climáticas
O Brasil depende em torno de 50,5% da energia gerada por hidrelétricas, totalizando mais da metade dos 216 gigawatts da potência instalada. Entretanto, o modelo tradicional de planejamento baseado em dados históricos está em xeque. As alterações climáticas acarretam mudanças estruturais nos padrões naturais de fluxo dos rios, prolongando períodos de seca e aumentando a frequência e intensidade das cheias extremas.
- O estudo mapeou as vazões médias dos rios entre 1950 e 2014 para projetar cenários até 2065 e 2100.
- A região Norte apresenta as maiores perdas potenciais, entre 30% e 40% na geração, enquanto Sul, Sudeste e Centro-Oeste tendem a registrar perdas inferiores a 10%.
- Usinas de grande porte na Amazônia, como Belo Monte, Santo Antônio e Jirau, são as mais vulneráveis a essa redução.
Fenômenos recentes como secas severas nos anos de 2023 e 2024 e o aumento das cheias extremas indicam que o ciclo hidrológico da região já está em transformação.
Detalhes das projeções e riscos para a segurança hídrica e energética
O relatório “Impacto da Mudança Climática nos Recursos Hídricos do Brasil” destaca que:
A geração energética está diretamente vinculada à vazão média afluente dos rios; portanto, a redução dessas vazões compromete a produção hidrelétrica.
A dependência de dados históricos para o planejamento de novas usinas pode resultar em investimentos equivocados, aumento de custos para consumidores e maior uso de termelétricas fósseis, que elevam a pegada de carbono.
A redução de vazões não afeta apenas a energia, mas também:
- A irrigação agrícola
- O abastecimento de água potável
- A biodiversidade local
Além disso, o estudo evidencia uma necessidade urgente de integrar cenários climáticos futuros nos processos decisórios para garantir a segurança hídrica e energética do país.
Caminhos para o enfrentamento e adaptação
Para evitar perdas financeiras e insegurança no abastecimento, o documento da ANA propõe:
Blindagem orçamentária para políticas hídricas e climáticas
Maior participação social na formulação e execução dessas políticas
Inovação normativa que considere a incerteza climática como base para o planejamento
Porém, desafios persistem devido a cortes orçamentários e falta de continuidade institucional, o que dificulta a implementação de uma política de Estado integrada que trate água e clima de forma duradoura.
A adoção dessas medidas é crucial para que o Brasil possa adaptar sua matriz energética e a gestão dos recursos hídricos frente a cenários cada vez mais instáveis, protegendo o meio ambiente e a população.
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Este panorama reforça a importância de estratégias inovadoras e integradas para a sustentabilidade da geração hidrelétrica na Amazônia, considerando as graves consequências das mudanças climáticas observadas e previstas para as próximas décadas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress










