O agronegócio brasileiro se destaca globalmente, impulsionado por setores como a criação de cavalos, que movimenta R$ 30 bilhões anuais e emprega milhões, segundo a FAO. A valorização é tanta que um único cavalo pode atingir cifras impressionantes, como o garanhão Quarto de Milha, Gênesis 66, que teve 50% de sua propriedade arrematada por R$ 80 milhões. Paralelamente, eventos como o Global Champions Arabians Tour (GCAT), com a presença do Sheik do Catar, evidenciam a relevância do país, quarto maior em rebanho equino com 5,5 milhões de animais.
O investimento em cotas de cavalos, uma prática crescente, permite a aquisição compartilhada para exploração econômica, dividindo custos e lucros. Dados da Associação Brasileira dos Criadores de Cavalos Árabes (ABCCA) revelam que a venda de óvulos e embriões movimentou mais de R$ 12 milhões em 2024. Além disso, o mercado de material genético bovino também prospera, com um aumento de 10% na movimentação de doses de sêmen no primeiro trimestre de 2025, conforme a Associação Brasileira de Inseminação Artificial (ASBIA).
Essa crescente valorização transforma os animais em ativos patrimoniais significativos para as famílias do agronegócio, levantando uma questão crucial: como garantir a sucessão desse patrimônio vivo? A transmissão de ativos vivos, como animais e material genético, apresenta desafios distintos em relação a bens imóveis ou aplicações financeiras, envolvendo custos contínuos e decisões técnicas.
Em casos de cotas de cavalos, o falecimento de um proprietário gera dúvidas sobre a continuidade dos custos, a destinação de prêmios e a gestão do animal. “Cavalos que não tenham os devidos cuidados podem se desvalorizar rapidamente”, alertam as advogadas Laura Santoianni Lyra Pinto e Samantha Teresa Berard Jorge, especialistas em planejamento patrimonial e sucessório. Além disso, a demora na resolução de conflitos familiares durante o inventário pode dilapidar o patrimônio.
Ferramentas de planejamento patrimonial, como testamentos e diretivas antecipadas de vontade, são essenciais para assegurar o respeito aos desejos do criador. Esses instrumentos permitem nomear herdeiros com vocação para administrar a propriedade e os animais, além de estabelecer direcionamentos estratégicos com apoio técnico, garantindo a preservação e expansão dos interesses da família. O planejamento sucessório, portanto, é um ato de cuidado com o futuro, assegurando a perpetuidade do patrimônio e dos negócios derivados da terra.





