Presidente colombiano solicita análise forense de mensagens que sugerem colaboração entre militares e guerrilheiros

Gustavo Petro pede investigação de mensagens que indicam infiltração de guerrilheiros em seu governo.
Acusações de Gustavo Petro e a infiltração da guerrilha
O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, solicitou um “exame forense” das mensagens divulgadas pela mídia local que indicam uma possível infiltração de dissidentes das Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) em seu governo. As acusações surgiram após uma reportagem da Caracol Televisión, que revelou que um general e um alto funcionário de inteligência compartilharam informações com rebeldes liderados por Alexander Díaz, conhecido como Calarcá, que estão em processo de negociação de paz com o governo.
Petro, em meio a um ambiente político conturbado, acusou a CIA, a agência de inteligência dos Estados Unidos, de estar por trás do vazamento das informações. Em uma postagem no X, o presidente afirmou: “A fonte do jornalista é a CIA, que tem o costume de criar redes para influenciar a opinião pública de acordo com os interesses do governo de seu país no mundo todo”. Essa acusação intensifica as tensões entre o governo colombiano e a administração do presidente americano, Donald Trump.
Investigação em andamento
A Procuradoria Geral da República da Colômbia, juntamente com o Ministério da Defesa, está investigando o general Juan Manuel Huertas e Wilmar Mejía, um funcionário da Direção Nacional de Inteligência, por supostamente planejarem a criação de uma empresa de segurança que facilitaria a ação dos guerrilheiros, permitindo a eles evitar controles e adquirir armas. Durante uma reunião com seus ministros, Petro enfatizou a necessidade de um exame de informática forense das mensagens reveladas pela Caracol, afirmando que tomará decisões com base nos resultados.
Crise política e desafios de paz
O caso provocou uma nova crise política no país, especialmente considerando que Petro, que assumiu a presidência em 2022, prometeu negociar a paz com guerrilhas restantes no país, após o histórico acordo assinado com as Farc em 2016. No entanto, próximo do fim de seu mandato, ele enfrenta dificuldades em conseguir avanços significativos. Recentes atentados contra forças de segurança e figuras políticas em cidades como Bogotá e Cali abalaram sua abordagem.
Além disso, a relação de Petro com o Exército está tensa, especialmente após a demissão de vários altos comandantes. O general Wilmar Mejía, um dos investigados, estava encarregado de realizar esses expurgos. A administração americana sob Trump tem demonstrado uma diplomacia hostil com o governo de Petro, que é o primeiro de esquerda na história colombiana. Trump retirou a Colômbia de sua condição de aliada na luta contra o narcotráfico e impôs severas sanções econômicas contra Petro e alguns de seus familiares.
O papel da Defensoria do Povo
Na terça-feira (25), a Defensoria do Povo pediu o afastamento dos altos funcionários investigados. Em um comunicado, a entidade sugeriu que se avaliasse a retirada das funções das pessoas que possam estar comprometidas com as acusações. Essa situação continua a gerar grandes repercussões políticas e sociais, refletindo a complexidade das relações entre o governo, as forças armadas e os grupos armados na Colômbia.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP










