A parceria que outrora prometia revolucionar o futebol, transformou-se em um campo de batalha judicial. John Textor e a Eagle Holding Football, antes unidos sob o guarda-chuva da “Família Eagle”, agora se enfrentam nos tribunais pelo controle da Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Botafogo. A Itatiaia Esporte traça a cronologia dessa disputa acirrada, que expõe tensões financeiras e questionamentos sobre a gestão do clube carioca.
Em 2022, a Eagle Holding Football adquiriu 90% das ações da SAF do Botafogo, integrando-o a uma rede de clubes que incluía o Crystal Palace (Inglaterra), Molenbeek (Bélgica) e Lyon (França). A visão de Textor era criar uma sinergia entre os clubes, compartilhando dados, processos e até mesmo jogadores, sob um sistema de “caixa único”. No entanto, a crise financeira do Lyon precipitou o afastamento de Textor e o início do conflito.
A situação se agravou com o rebaixamento iminente do Lyon para a segunda divisão francesa, um cenário evitado após a entrada de Michele Kang na presidência do clube. Paralelamente, Textor transferiu os ativos da SAF do Botafogo para uma nova empresa sediada nas Ilhas Cayman, uma manobra que incluiu a venda de dívidas e um empréstimo de 100 milhões de euros. Essa decisão, aprovada pelo Conselho Administrativo da SAF, acendeu o alerta na Eagle Holding Football.
A Eagle questiona a legalidade da ação de Textor, alegando conflito de interesses e levantando suspeitas de fraude na operação. A empresa argumenta que Textor atuou como “vendedor e comprador” simultaneamente, o que poderia configurar irregularidades. A disputa escalou para a Justiça, com ambas as partes buscando proteger seus interesses.
Em 31 de julho, a Justiça do Rio de Janeiro determinou o “congelamento” das ações da Eagle na SAF do Botafogo, impedindo qualquer alteração societária que pudesse afastar Textor do controle do clube. Em contrapartida, a Eagle ingressou com um processo para impedir Textor de tomar decisões unilaterais na gestão do Botafogo, exigindo consulta prévia à empresa e suspendendo os efeitos das medidas aprovadas pelo Conselho Administrativo. “Confira os detalhes nesta reportagem”, convida a Itatiaia, ressaltando a complexidade do caso.
“Botafogo financia a Europa, e não o contrário”, declarou Textor em 27 de julho, em meio a explicações sobre o afastamento do Lyon e a situação financeira do Botafogo. O empresário minimizou o risco de perder o controle da SAF, reafirmando sua posição como sócio majoritário da Eagle. Documentos do Botafogo revelam que receitas de transferências de jogadores foram direcionadas ao Lyon para sanar suas finanças, um ponto central na disputa.
Recentemente, o Botafogo confirmou o “fim do caixa único” entre os clubes da Eagle e as dívidas do Lyon com o clube carioca, que somariam R$ 410 milhões. A direção francesa contesta o valor, adicionando mais um capítulo à novela. A guerra societária no Botafogo está longe de um desfecho, e o futuro do clube carioca permanece incerto em meio a essa batalha judicial.
Fonte: http://www.cnnbrasil.com.br





