O outono e o inverno já não são mais os únicos períodos de preocupação com a gripe. Postos de saúde e prontos-socorros em diversas regiões do Brasil, incluindo o Centro-Oeste e o Sudeste, têm registrado um aumento significativo de casos de doenças respiratórias nesta primavera, com pacientes apresentando febre, dores no corpo e outros sintomas característicos. A situação é particularmente grave em estados como Mato Grosso do Sul, Pará, Rio de Janeiro, Rondônia e Roraima, que concentram os casos mais sérios de Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), conforme o último boletim da Fiocruz.
De acordo com a pneumologista Andrea Cunha, de Campo Grande, essa onda de gripe atípica não tem levado a tantas internações quanto nos meses mais frios, mas a intensidade dos sintomas tem feito com que mais pessoas procurem atendimento médico. A médica aponta três fatores principais que podem estar contribuindo para esse cenário.
As mudanças climáticas despontam como um dos principais culpados. “As estações já não estão mais tão definidas e as características de transmissão dos vírus mudam também”, explica Cunha. Ela acrescenta que a combinação de frentes frias tardias com períodos de tempo seco e o aumento da aglomeração em ambientes fechados favorecem a circulação viral. A baixa cobertura vacinal é outro fator crucial. Mato Grosso do Sul, por exemplo, atingiu apenas 51,23% da meta de vacinação entre grupos de risco, como crianças, gestantes e idosos.
A médica ressalta que “a vacina da gripe evita internações e diminui bastante a chance das pessoas pegarem gripe”. Com menos pessoas vacinadas, vírus que antes estavam sob controle voltam a circular. Além disso, a pandemia de Covid-19 pode ter alterado o ecossistema viral. “Os vírus são organismos vivos e fazem parte de um ecossistema em que competem entre si, então, se surge uma pandemia ou tem um período frio numa estação quente, muda o padrão de circulação de diversos vírus”, detalha Cunha.
Vírus como o adenovírus, VSR (Vírus Sincicial Respiratório), parainfluenza e influenza são os mais prevalentes no momento. O adenovírus, em particular, tem contribuído para o aumento de casos em Mato Grosso do Sul, segundo a Fiocruz. A especialista alerta ainda para a dificuldade em diferenciar os sintomas de gripe e alergia nesta época do ano. Sintomas como ardência nos olhos, tosse e coriza podem ser tanto sinais de uma doença respiratória quanto manifestações alérgicas, especialmente em um período de tempo seco e oscilações climáticas.
Para fortalecer o sistema imunológico, a pneumologista recomenda a ingestão de bastante líquido para hidratar as vias aéreas, a vacinação contra a gripe, pneumonia e outras infecções respiratórias, a prática de exercícios físicos, uma alimentação equilibrada, o controle de comorbidades como diabetes e a realização de check-ups anuais.










