Durigan destaca foco em comissão mista para evitar retorno do imposto em campanha eleitoral

Ministro Durigan afirma que governo foca na instalação da comissão da MP da 'taxa das blusinhas' para aprovar o fim do imposto antes de 8 de setembro, evitando impacto eleitoral.
O governo federal intensifica a pressão para acelerar a tramitação da Medida Provisória (MP) que extingue a chamada “taxa das blusinhas” – imposto controverso que vinha pesando no setor produtivo. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, declarou nesta quarta-feira que o foco do Executivo está na constituição da comissão mista responsável por analisar a MP, com a meta clara de aprovar o texto no próximo esforço concentrado do Congresso Nacional, previsto entre 31 de agosto e 4 de setembro.
“O presidente Lula tratou disso ontem, nós temos conversado. O esforço do governo agora é mobilizar a base no Congresso Nacional para constituir a comissão mista da medida provisória que o presidente Lula enviou e aprovar o texto no próximo esforço concentrado”, afirmou Durigan após evento em Brasília.
Comissão mista como prioridade
A comissão, composta por 13 senadores e 13 deputados, deve se reunir em 1º de setembro para eleger o presidente e o relator do colegiado. O Senado indicará o relator da matéria, enquanto a Câmara escolherá o presidente. O prazo para a MP perder validade é 8 de setembro, o que impõe uma corrida contra o tempo para garantir a votação no plenário das duas Casas.
A mobilização do governo para aprovação rápida evidencia o receio de que o imposto volte a vigorar durante o período eleitoral, algo que poderia gerar desgaste político e impacto direto em setores produtivos. A estratégia mostra ainda a tentativa de manter o controle da base aliada para evitar surpresas que possam atrasar ou inviabilizar a medida.
Saúde e Orçamento em pauta
Além do tema tributário, Durigan destacou a importância do setor de saúde para a economia e soberania nacionais, enfatizando a necessidade de regulação clara e eficiência tanto no setor privado quanto no SUS. Sobre o Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA), disse que o governo está definindo a alíquota do Imposto Seletivo, que poderá ser cobrado a partir de 2027, dentro da reforma tributária. A ideia é evitar ruído político com setores afetados, garantindo a aprovação sem transtornos durante a campanha eleitoral.
Bastidores e preocupações
Nos bastidores, cresce a preocupação com possíveis retrocessos na reforma tributária que poderiam ser explorados politicamente por opositores, como o candidato Flávio Bolsonaro (PL), que defende o adiamento das mudanças. O governo, por sua vez, busca manter a trajetória da reforma intacta, sinalizando resistência a qualquer tentativa de desfazimento das medidas em meio à disputa eleitoral.
Em suma, o governo aposta na agilidade do Congresso para eliminar um imposto impopular em tempo hábil, protegendo seu campo político e evitando desgaste em plena temporada eleitoral.









