Plano orçamentário tenta dar tom de ajuste, mas mantém resultado modesto e abaixo da meta oficial

Ministério do Planejamento projeta superávit 'real' entre R$ 18 e 20 bilhões para 2027, abaixo da meta oficial de R$ 73,2 bilhões, sinalizando ajuste tímido nas contas públicas.
O governo Lula tenta dar um verniz de ajuste fiscal no Orçamento de 2027, mas a promessa de superávit ‘real’ entre R$ 18 bilhões e R$ 20 bilhões revela uma contenção modesta diante da meta oficial de R$ 73,2 bilhões, equivalente a 0,5% do PIB. O ministro do Planejamento, Bruno Moretti, afirmou em entrevista à GloboNews que o projeto de lei orçamentária anual (Ploa) buscará um ajuste fiscal de 0,5% do PIB, mas o resultado esperado efetivo ainda será inferior a essa meta, sinalizando um avanço tímido na correção das contas públicas.
Ajuste fiscal é menor do que o anunciado
Na prática, o superávit primário previsto, mesmo descontando despesas que não entram na meta fiscal, como precatórios e gastos com Defesa, será limitado a cerca de 0,1% do PIB — muito abaixo do 0,5% almejado pelo governo. Em 2026, a expectativa é fechar o ano com déficit de 0,4% do PIB, o que mantém a situação fiscal sob forte pressão.
Cautela na contenção de despesas obrigatórias
Moretti ressaltou que o orçamento de 2027 será rigoroso e explicitará como medidas de contenção aprovadas nos últimos anos impactam a desaceleração do crescimento dos gastos obrigatórios. Entre elas, destacam-se alterações no cálculo da Receita Corrente Líquida (RCL), que freiam o crescimento do piso de saúde, e limites para despesas com vinculações legais, ajustadas conforme o arcabouço fiscal.
Contexto e desdobramentos
A modesta previsão de superávit representa um desafio para o governo, que precisa mostrar resultados concretos para dar credibilidade à promessa de ajuste fiscal. O recuo na meta real pode abrir espaço para críticas sobre a sustentabilidade das contas públicas e a capacidade do Executivo de controlar despesas diante das pressões políticas por ampliação de gastos.
Em resumo, a previsão orçamentária para 2027 expõe uma tentativa de ajuste lento e insuficiente, que pode refletir dificuldades em equilibrar as contas públicas sem comprometer compromissos políticos e sociais do governo Lula.









