Delcy Rodríguez promove mudanças estruturais e elimina missões sociais criadas por Chávez e Maduro

O governo interino da Venezuela desmonta programas sociais do chavismo em profunda reforma que inclui mudanças ministeriais e legislativas.
Governo interino da Venezuela promove desmonte dos programas sociais do chavismo
O governo interino da Venezuela, sob o comando da presidente Delcy Rodríguez, iniciou em fevereiro de 2026 uma profunda revisão e desmantelamento dos programas sociais criados durante o governo de Hugo Chávez e fortalecidos durante a gestão de Nicolás Maduro. Entre as ações tomadas, está a eliminação de sete programas sociais e órgãos estatais, refletindo uma mudança significativa na política social e administrativa do país.
Delcy Rodríguez, que assumiu o governo interino após a captura do antecessor em uma operação militar americana em Caracas no dia 3 de janeiro, busca implementar uma reforma ministerial, reestruturar a legislação do setor petrolífero e aprovar uma histórica lei de anistia prevista para a próxima semana, evidenciando um reposicionamento estratégico do Executivo venezuelano.
Eliminação de órgãos-chave e reorganização do gabinete presidencial
Um dos destaques das medidas foi o desmantelamento do Centro Estratégico de Segurança e Proteção da Pátria (Cesppa), criado em 2013 durante o primeiro mandato de Maduro para coordenar informações estratégicas relacionadas à defesa, inteligência e ordem interna. Críticas de organizações civis apontavam o Cesppa como um centro de monitoramento e repressão, limitando o acesso à informação e reforçando práticas autoritárias.
Além disso, a presidente interina nomeou o capitão Juan Escalona, antigo guarda-costas de Maduro, para a chefia do Gabinete da Presidência, reforçando a articulação do Executivo com os demais órgãos do Estado. Essa nomeação faz parte da reorganização mais ampla do governo, que visa garantir maior controle e alinhamento político.
Impacto da extinção das missões sociais do chavismo
Entre os programas sociais eliminados estão três das chamadas “missões” criadas durante o governo Maduro e outros dois estabelecidos ainda na era Chávez (1999-2013). Essas missões constituíam a base do modelo de políticas públicas do chavismo, oferecendo subsídios alimentares, assistência na saúde, habitação e educação para os segmentos mais vulneráveis da população.
No entanto, críticos denunciavam essas missões por promoverem opacidade administrativa, corrupção e servirem como instrumentos de coação social, funcionando como parte do aparato repressivo estatal. Com a extinção dessas iniciativas, algumas de suas funções estão sendo redistribuídas para outros ministérios, configurando uma reestruturação do sistema de proteção social venezuelano.
Mudanças políticas e reaproximação com os Estados Unidos
Paralelamente às reformas internas, o governo interino da Venezuela tem adotado um posicionamento diferente na política externa, promovendo a reabertura das relações com os Estados Unidos, que estavam rompidas desde 2019. O presidente americano Donald Trump, que afirmou ter assumido o comando da Venezuela após a captura do antecessor de Rodríguez, declarou recentemente apoio às reformas e reconheceu o trabalho da atual presidente interina.
Essa reviravolta política indica um realinhamento geopolítico que poderá influenciar negociações econômicas e políticas no país, especialmente no setor petrolífero, que deve passar por uma reforma legislativa importante nos próximos meses.
Desafios e perspectivas para a Venezuela pós-chavismo
A retirada dos programas sociais do chavismo pelo governo interino coloca desafios significativos para a população venezuelana, sobretudo para os grupos socialmente vulneráveis que dependiam dessas políticas. A eficácia das novas políticas sociais e sua capacidade de atender às demandas básicas da população ainda são temas de incerteza.
Além disso, a nova legislação petrolífera e a lei de anistia prometem transformar o cenário político e econômico, mas sua implementação será crucial para definir os rumos do país. O governo interino precisa equilibrar as mudanças estruturais com a manutenção da estabilidade social e política, enquanto negocia internamente e internacionalmente seu espaço de governabilidade.
Essas transformações representam uma ruptura clara com o modelo do chavismo, sinalizando um novo capítulo na história política da Venezuela sob a liderança de Delcy Rodríguez.
Fonte: noticias.uol.com.br
Fonte: Delcy Rodríguez em entrevista à NBC










