O governador do Tocantins, Wanderlei Barbosa (Republicanos), foi afastado do cargo por 180 dias por decisão do ministro Mauro Campbell Marques, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida, divulgada nesta quarta-feira (3), atende a um pedido do Ministério Público no âmbito da Operação Fames-19, que investiga o desvio de recursos destinados à compra de cestas básicas durante a pandemia de Covid-19. A decisão intensifica o cenário político turbulento no estado.
Com o afastamento, o vice-governador Laurez Moreira (PSD) assume o comando do estado. A relação entre Wanderlei e Laurez é conhecida por divergências, tendo o governador inclusive proposto uma emenda constitucional apelidada de “PEC do Apego” em 2024, buscando evitar que o vice assumisse o cargo em suas ausências. Tal manobra política expôs a fragilidade da aliança entre os dois.
Wanderlei Barbosa iniciou sua trajetória política em 1989 como vereador em Porto Nacional. Posteriormente, mudou-se para Palmas, onde exerceu mandatos consecutivos na Câmara Municipal, chegando à presidência da Casa. Em 2010, foi eleito deputado estadual e, em 2018, vice-governador na chapa de Mauro Carlesse.
Assumiu o governo em 2021, após o afastamento de Carlesse em uma investigação sobre pagamento de propina, e foi eleito em 2022 para um mandato próprio. Durante a campanha, adotou o slogan “governador curraleiro”, buscando reforçar suas origens populares e criar uma identificação com o eleitorado.
As investigações da Operação Fames-19 apontam que, entre 2020 e 2021, foram pagos R$ 97 milhões em contratos para o fornecimento de cestas básicas e frangos congelados. Contudo, parte dos produtos não teria sido entregue, gerando um prejuízo estimado em mais de R$ 73 milhões aos cofres públicos. Segundo a Polícia Federal, os valores desviados teriam sido utilizados na compra de gado, construção de imóveis de luxo e pagamento de despesas pessoais.
Em agosto de 2024, durante a primeira fase da operação, a PF encontrou R$ 67,7 mil em espécie na residência de Wanderlei, além de dólares e euros. A operação foi batizada de Fames-19 em referência à fome (em latim, *fames*) e ao ano de descoberta da Covid-19, simbolizando a gravidade do desvio de recursos em um momento crítico para a população.
Wanderlei Barbosa, em nota, classificou a decisão como “precipitada” e ressaltou que os pagamentos investigados ocorreram na gestão anterior, quando era vice-governador. Ele afirmou que já havia determinado auditoria nos contratos e disse que tomará medidas jurídicas para reassumir o cargo. A primeira-dama, Karynne Sotero Campos, também afastada do cargo de secretária extraordinária de Participações Sociais, manifestou sua intenção de se dedicar à defesa para comprovar sua “total ausência de participação nos fatos”.
Fonte: http://soudepalmas.com.br










