Gigantes da Tecnologia dos EUA Alertam Governo Trump sobre Riscos Regulatórios no Brasil Sob Lula

Um consórcio de 81 empresas de tecnologia dos Estados Unidos, incluindo gigantes como Amazon, Google, Apple e Microsoft, expressou sérias preocupações ao governo Donald Trump sobre o ambiente regulatório no Brasil sob a administração de Luiz Inácio Lula da Silva. As empresas, reunidas sob o Conselho da Indústria da Tecnologia da Informação (ITI), apresentaram um dossiê detalhando críticas a recentes decisões e propostas que afetam a internet, a inteligência artificial e a tributação de plataformas digitais. O movimento surge em meio a uma investigação do governo dos EUA sobre as práticas comerciais brasileiras.

O documento, encaminhado ao Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), concentra-se em quatro áreas principais: decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), regulamentações da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), legislação sobre inteligência artificial e propostas de taxação digital. As empresas argumentam que essas medidas criam insegurança jurídica, aumentam custos e podem levar à censura, prejudicando o investimento e a inovação no mercado brasileiro. A ITI alerta para o impacto potencial nas empresas americanas que operam no Brasil.

Um ponto central de discórdia é a mudança de interpretação do artigo 19 do Marco Civil da Internet pelo STF. A decisão de responsabilizar as plataformas por conteúdo de terceiros, mesmo sem ordem judicial prévia para remoção, é vista como uma ameaça ao “porto seguro” que protegia as empresas. “A decisão elimina o ‘porto seguro’ que protegia as empresas de ações judiciais sem ordem formal, aumentando custos e incentivando remoções preventivas de conteúdo”, afirma o ITI no documento. A medida, segundo o conselho, incentivaria a remoção preventiva de conteúdo, potencialmente silenciando discursos políticos legítimos.

Além disso, as empresas criticam a resolução da Anatel que responsabiliza marketplaces por anúncios de produtos irregulares, mesmo que atuem apenas na promoção. O projeto de lei que regula a inteligência artificial, com exigências de remuneração de direitos autorais consideradas “inviáveis”, também é alvo de preocupação. Soma-se a isso a proposta de criação da Contribuição Social Digital (CSD) e declarações de Lula sobre a taxação de big techs, o que intensifica o receio do setor.

Diante deste cenário, o ITI pede ao governo dos Estados Unidos que permaneça atento às medidas que afetam empresas americanas e defende um diálogo direto entre Washington e Brasília. O objetivo é evitar retrocessos no ambiente regulatório e garantir a continuidade do fluxo de investimentos e tecnologia. O conselho lembra que o Brasil é um mercado importante para as exportações de tecnologia dos EUA, gerando um superávit significativo para o país.

Fonte: http://www.conexaopolitica.com.br