Com a esperança de um cessar-fogo duradouro, Gaza se prepara para receber um fluxo intenso de ajuda humanitária. A expectativa é que centenas de caminhões cruzem a fronteira diariamente, aliviando a crise humanitária que se agravou após dois anos de conflito. O acordo de cessar-fogo também reacende a esperança para a libertação de reféns israelenses e prisioneiros palestinos.
O braço de defesa israelense responsável pela ajuda humanitária, Cogat, prevê que a assistência diária aumentará para cerca de 600 caminhões, conforme o acordo. O Egito, por sua vez, comprometeu-se a enviar 400 caminhões carregados com suprimentos essenciais, incluindo alimentos, medicamentos e combustível. Todos os veículos serão inspecionados pelas forças israelenses antes de entrarem em Gaza pela passagem de Kerem Shalom.
A distribuição da ajuda, contudo, enfrenta desafios. Nos últimos meses, a ONU e seus parceiros conseguiram entregar apenas 20% da assistência necessária, devido aos combates, fechamento de fronteiras e restrições impostas por Israel. A ONU afirma ter 170 mil toneladas de ajuda humanitária prontas para entrar em Gaza assim que receber autorização.
Um ponto de interrogação paira sobre o futuro da Fundação Humanitária de Gaza, organização apoiada por Israel e pelos EUA que havia substituído a ONU como principal fornecedora de alimentos. Relatos indicam que os locais de distribuição da fundação foram desmantelados após o cessar-fogo, gerando incertezas sobre como a ajuda chegará à população. A fundação, envolvida em controvérsias e alegações de caos na distribuição, não se manifestou sobre o assunto.
Paralelamente, os preparativos avançam para a libertação dos reféns israelenses e prisioneiros palestinos. Gal Hirsch, coordenador israelense para Reféns e Desaparecidos, informou às famílias dos reféns que se preparem para a libertação de seus entes queridos. Hospitais e instalações de acolhimento estão prontos para receber os libertados, enquanto uma força-tarefa internacional se prepara para localizar os corpos de reféns que não forem devolvidos no prazo.
O presidente dos EUA, Donald Trump, figura central nas negociações do cessar-fogo, tem agendada uma visita à região. Ele planeja se reunir com as famílias dos reféns em Israel e discursar no Knesset. Em seguida, Trump seguirá para o Egito, onde copresidirá uma “cúpula de paz” com líderes regionais e internacionais, conforme anunciado pelo gabinete do presidente egípcio Abdel-Fattah el-Sissi.
Enquanto isso, palestinos retornam às áreas abandonadas pelas forças israelenses, encontrando, muitas vezes, suas casas em ruínas. Imagens de satélite mostram o fluxo de veículos em direção à cidade de Gaza. A polícia, sob o controle do Hamas, intensificou o patrulhamento nas ruas, com o objetivo de garantir a segurança e proteger os caminhões de ajuda humanitária. A retomada da normalidade, no entanto, é um processo lento e doloroso.
A guerra, desencadeada pelo ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, deixou um rastro de destruição e morte. Mais de 67 mil palestinos perderam a vida em Gaza, segundo o Ministério da Saúde local. Questões cruciais sobre a governança de Gaza e o futuro do Hamas permanecem sem resposta. Israel Katz, ministro da Defesa israelense, declarou que instruiu as Forças Armadas a se prepararem para destruir a rede de túneis do Hamas, com supervisão internacional liderada pelos EUA, assim que os reféns forem libertados.
Fonte: http://odia.ig.com.br










