Galípolo: fintechs e Faria Lima são vítimas do crime organizado


Presidente do Banco Central destaca a fragilidade do sistema financeiro

Galípolo: fintechs e Faria Lima são vítimas do crime organizado
Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central. Foto: Gabriel Galípolo.

Medidas do BC visam controlar movimentações e proteger sistema financeiro contra crimes.

Galípolo destaca a vulnerabilidade das fintechs ao crime organizado

O presidente do Banco Central (BC), Gabriel Galípolo, alertou que as fintechs e outras instituições financeiras estão sendo alvo do crime organizado. Durante uma coletiva de imprensa, ele anunciou a implementação de um limite de R$ 15.000 para movimentações de Transferências Eletrônicas Disponíveis (TED) e Pix, que se aplicará tanto a instituições de pagamento não autorizadas quanto àquelas que operam através de prestadoras de serviços de tecnologia da informação (PSTI).

Medidas de segurança do Banco Central

As novas diretrizes visam aumentar a segurança do sistema financeiro, que tem sido ameaçado por ataques cibernéticos. Galípolo enfatizou que, para combater essa situação, o sistema financeiro deve estar unido. Ele declarou: “Faria Lima ou Fintech são as vítimas do crime organizado. Tanto os bancos incumbentes quanto os novos participantes do mercado têm promovido uma inclusão financeira significativa, essencial para a posição do Brasil no cenário tecnológico global”.

O Banco Central também anunciou que empresas que comprovarem a adoção de controles de segurança poderão ser isentas do limite de R$ 15.000 por até 90 dias, permitindo uma maior flexibilidade enquanto implementam as novas normas. A nova regra deve entrar em vigor após a publicação oficial prevista ainda para o dia 5 de setembro.

Contexto das invasões cibernéticas

Recentes incidentes de segurança revelaram fragilidades no sistema financeiro. Um dos casos mais notáveis ocorreu em 2 de julho, quando o BC identificou uma invasão na C&M Software, uma prestadora de serviços de tecnologia não regulada. A situação levou à prisão de um ex-funcionário que teria contribuído para desvios de R$ 800 milhões de várias instituições financeiras.

Subsequentemente, em 1º de setembro, novas invasões afetaram instituições como o HSBC Brasil e a sociedade de crédito Artta, resultando em um desvio de pelo menos R$ 710 milhões. Esses incidentes destacam a vulnerabilidade das fintechs e a necessidade de regulação mais rigorosa das prestadoras de serviços que operam no setor.

A resposta do Banco Central e a segurança do sistema

O Banco Central assegurou que a infraestrutura do sistema de pagamento instantâneo, como o Pix, não foi comprometida e permanece segura. A autoridade destacou que os desvios financeiros afetaram apenas as contas reservas das instituições, sem prejudicar diretamente os clientes.

Em resposta a essas ameaças, o BC também registrou tentativas de invasão em outras instituições, incluindo o Santander Brasil, que sofreu um ataque por meio de consultas simultâneas no QR Code do Pix, sem que houvesse desvio de recursos. O banco agiu rapidamente para bloquear os acessos não autorizados e notificou as autoridades competentes.

O que esperar das novas medidas

As novas regulamentações do Banco Central visam fortalecer a segurança do sistema financeiro e proteger tanto as instituições quanto os usuários. A implementação do limite de R$ 15.000 é uma medida preventiva que deve ser acompanhada de perto por todos os envolvidos no setor. As fintechs, por sua vez, precisam se adaptar rapidamente às exigências de segurança para garantir a continuidade de suas operações sem interrupções significativas.

As próximas semanas serão cruciais para avaliar a eficácia dessas medidas e a capacidade do Banco Central em proteger o sistema financeiro brasileiro contra futuras ameaças. A colaboração entre autoridades e instituições financeiras será fundamental para enfrentar os desafios impostos pelo crime organizado e garantir a segurança do ambiente de negócios.


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