Gabinete de Netanyahu aprova medidas para facilitar compra de terras na Cisjordânia

Decisão do governo israelense amplia controle sobre territórios ocupados e intensifica tensões com palestinos

Gabinete de Netanyahu aprova medidas para facilitar compra de terras na Cisjordânia
Vista aérea da Cisjordânia, área afetada pela nova política de registro de terras. Foto:

Israel aprova medida que facilita compra de terras na Cisjordânia, ampliando controle e gerando protestos palestinos.

Contexto da decisão do gabinete de Netanyahu sobre a compra de terras na Cisjordânia

A recente aprovação pelo gabinete de Binyamin Netanyahu, em 15 de fevereiro de 2026, de medidas que facilitam a compra de terras na Cisjordânia representa um avanço significativo na política israelense sobre os territórios ocupados. O primeiro-ministro, que encara eleições ainda neste ano, tem buscado consolidar sua base eleitoral entre os colonos, fortalecendo o controle israelense sobre áreas estratégicas da Cisjordânia, região reivindicada pelos palestinos para a criação de um Estado independente. A iniciativa inclui o início de um processo formal de registro de terras, algo que não ocorria desde a ocupação em 1967.

Detalhes das medidas aprovadas pelo gabinete israelense

O núcleo das medidas aprovadas envolve o registro oficial de propriedades na Cisjordânia, o que facilitará a compra e venda de terras por colonos israelenses. O ministro das Finanças, Bezalel Smotrich, referiu-se a essas ações como parte de uma “revolução dos assentamentos” destinada a fortalecer o domínio israelense sobre essas áreas. Por sua vez, o ministro da Defesa, Israel Katz, argumentou que o registro das terras é fundamental para a segurança nacional, enquanto o governo justificou a medida como uma resposta às iniciativas da Autoridade Palestina que buscavam registrar propriedades de forma paralela. O Ministério das Relações Exteriores destacou que a transparência no registro também ajudará a resolver disputas territoriais.

Reação palestina e implicações internacionais

O governo palestino condenou a decisão classificando-a como uma anexação de fato do território ocupado, alertando para o início de planos que consolidam a ocupação através da expansão ilegal dos assentamentos. A organização israelense Peace Now alertou para o risco de que até metade da Cisjordânia possa ser expropriada dos palestinos em consequência dessas medidas. Em âmbito internacional, embora o presidente dos EUA, Donald Trump, tenha descartado a anexação formal da Cisjordânia, a falta de ações efetivas para conter os assentamentos tem sido alvo de críticas. Em 2024, a Corte Internacional de Justiça reafirmou que a ocupação e os assentamentos são ilegais e devem cessar, posição contestada pelo governo israelense.

Impactos políticos e sociais da política de assentamentos na Cisjordânia

A facilitação da compra de terras para colonos é um movimento estratégico com potencial impacto profundo na dinâmica do conflito israelo-palestino. A expansão dos assentamentos dificulta a criação de um Estado palestino contíguo, enfraquecendo a possibilidade de negociações de paz. Internamente, essa política reforça a aliança governamental com setores nacionalistas e religiosos que defendem a anexação. Socialmente, aumenta o deslocamento e a insegurança das comunidades palestinas que vivem na região, intensificando tensões e confrontos. A medida também suscita preocupação internacional sobre a estabilidade regional e a possibilidade de retomada de negociações multilaterais.

Perspectivas futuras e o cenário eleitoral em Israel

Com eleições previstas para 2026, Netanyahu tem interesse em manter a base de apoio entre os colonos e setores conservadores, adotando políticas que reafirmem a soberania israelense sobre a Cisjordânia. A aprovação dessas medidas pode ser vista como um movimento para consolidar votos e mostrar firmeza diante dos adversários políticos. No entanto, essa estratégia poderá ampliar o isolamento internacional de Israel e dificultar acordos diplomáticos futuros. O curso dessa política será decisivo para as relações regionais e para a viabilidade de um processo de paz duradouro no Oriente Médio.

Fonte: www1.folha.uol.com.br