Movimentação do fundo Arleen, ligado a irmãos do ministro Dias Toffoli, revela uso de paraíso fiscal em 2025

O fundo de investimentos Arleen transferiu R$ 34 milhões para empresa offshore nas Ilhas Virgens Britânicas, envolvendo irmãos do ministro Dias Toffoli.
Fundo de investimentos Arleen transferiu cotas para offshore nas Ilhas Virgens Britânicas
O fundo de investimentos Arleen, que manteve negócios com irmãos do ministro Dias Toffoli, do STF, transferiu seus ativos no final de 2025 para uma empresa offshore sediada no paraíso fiscal das Ilhas Virgens Britânicas. A operação, registrada em documentos oficiais da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e da Comissão de Serviços Financeiros do território britânico, revela um movimento estratégico para ocultar informações empresariais que envolvem R$ 34 milhões em ativos.
Relações comerciais do fundo com irmãos do ministro Dias Toffoli entre 2021 e 2025
Entre 2021 e 2025, o fundo Arleen esteve diretamente envolvido em sociedade com os irmãos do ministro Dias Toffoli, José Eugenio e José Carlos Toffoli, no controle do resort Tayayá, localizado no Paraná. O Arleen comprou cotas das empresas dos familiares do ministro, estabelecendo uma rede de negócios complexa sob a influência do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A entrada do fundo na sociedade aconteceu em 2021, adquirindo participações relevantes de empresas ligadas aos Toffoli e um primo do ministro.
Transferência e encerramento do fundo Arleen em 2025
No final de 2025, o fundo Arleen foi formalmente encerrado e a totalidade dos seus ativos foi transferida para a Égide I Holding, uma empresa offshore criada em março do mesmo ano e sediada nas Ilhas Virgens Britânicas. A decisão inicial de resgatar os ativos e pagar os cotistas foi alterada em assembleia, que aprovou a transferência das cotas ao novo veículo offshore, mantendo a posse dos ativos sob sigilo. A Égide I Holding registra seu endereço como uma caixa postal de uma administradora especializada em paraísos fiscais, não revelando o real proprietário dos recursos.
Negociações recentes e atual controle do resort Tayayá
Após a saída do fundo Arleen e dos familiares do ministro do Supremo, o advogado Paulo Humberto Barbosa, representante da JBS em Goiânia, tornou-se o único proprietário do resort Tayayá. Ele adquiriu as participações de José Carlos Toffoli e Mario Umberto Degani, primo do ministro, até setembro de 2025. Barbosa afirma desconhecer as operações do fundo Arleen e limita sua relação à compra das cotas sociais do Tayayá e de outra empresa relacionada, DGEP.
Impactos políticos e legais diante da investigação do Banco Master no STF
O fundo Arleen e seus movimentos financeiros ganham ainda maior relevância política pelo contexto em que o ministro Dias Toffoli atua como relator do caso Master no Supremo Tribunal Federal. O banco e seu controlador, Daniel Vorcaro, são investigados por possível venda ilegal de créditos sem lastro a instituições públicas, fato que envolve cifras bilionárias e gerou prisões temporárias. Apesar das investigações, Toffoli decidiu não se afastar do processo, alegando ausência de impedimentos legais e motivos subjetivos para suspeição.
A associação entre o fundo Arleen e o Banco Master é contestada pelas defesas dos envolvidos, que negam qualquer vínculo do ex-banqueiro Daniel Vorcaro com as operações dos fundos. O caso abre debate sobre a gestão de fundos de investimento, o uso de paraísos fiscais e os limites éticos e legais da atuação de autoridades em processos que podem afetar interesses pessoais ou familiares.
Panorama do uso de paraísos fiscais em estruturas financeiras brasileiras
O uso das Ilhas Virgens Britânicas como paraíso fiscal é recorrente entre fundos de investimentos e empresas que buscam sigilo e vantagens tributárias. A transferência de cotas para offshore, como ocorreu com o fundo Arleen, permite a ocultação de proprietários finais e a proteção dos ativos de investigações e litígios. Essa prática, embora legal sob determinadas condições, levanta questões sobre transparência, governança corporativa e possíveis conflitos de interesse em contextos políticos.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Reprodução










