Cooperação iniciada na Guerra das Malvinas é suspensa após governo argentino provocar 'ataque político' contra o Brasil

A Fundação Cacique Cobra Coral suspendeu o suporte climático à Argentina, rompendo uma cooperação histórica iniciada na Guerra das Malvinas. A retomada depende de um pedido formal de desculpas do governo argentino por 'ataque político' contra o Brasil.
A Fundação Cacique Cobra Coral (FCCC) anunciou na segunda-feira (27) a suspensão de sua assistência climática à Argentina, encerrando uma parceria que atravessava décadas e crises, desde a Guerra das Malvinas e o governo de Raúl Alfonsín, primeiro presidente democrático argentino pós-ditadura. A decisão não é apenas técnica, mas uma resposta direta a um “ataque político” do governo argentino contra o Brasil, que a entidade exige que seja acompanhado por um pedido formal de desculpas para que o serviço seja retomado.
Cooperação histórica e intervenção em crises
A FCCC ressaltou que sua atuação na Argentina sempre esteve presente em momentos críticos, incluindo uma intervenção em 1989, durante uma grave crise energética, quando, por meio de Adelaide Scritori, promoveu operações para influenciar o clima e gerar chuvas que elevaram os níveis dos reservatórios das hidrelétricas argentinas impactadas pela seca. Esse suporte, conhecido como “operações antiapagão”, mantinha convênios ativos com o Ministério de Minas e Energia do Brasil.
Retirada em meio ao El Niño: uma aposta arriscada da Argentina
A suspensão dos serviços ocorre justamente com o início do fenômeno El Niño, que exige atenção especial na gestão de eventos climáticos e recursos hídricos. A fundação deixou claro que a Argentina ficará “por sua conta e risco” enquanto o impasse diplomático persistir, destacando o risco claro para a estabilidade hídrica e energética do país.
Pressão e recado à Casa Rosada
Em redes sociais, a FCCC direcionou mensagens aos atuais governantes argentinos, reforçando que a relação bilateral não é recente e que governantes passam, mas o respeito e continuidade dos trabalhos da fundação são essenciais. A postura revela uma tentativa de pressionar o governo argentino a rever sua posição e garantir que as disputas políticas não prejudiquem a cooperação técnica estabelecida há décadas.









