Fragmentação da economia global: quem se beneficia, EUA ou China?


Análise sobre as consequências da divisão econômica entre as potências mundiais

Fragmentação da economia global: quem se beneficia, EUA ou China?
Martin Wolf

Análise sobre a fragmentação da economia global e suas implicações para EUA e China.

A fragmentação da economia global e suas consequências

A fragmentação da economia global é um tema atual com implicações profundas para as potências mundiais, especialmente os Estados Unidos e a China. O livro “The Fractured Age” de Neil Shearing sugere que o mundo está se dividindo em blocos econômicos, destacando a necessidade de uma análise crítica sobre quem realmente se beneficiará dessa divisão.

Divisão entre blocos: EUA e China

O autor argumenta que a fragmentação não deve ser confundida com a desglobalização. Embora o comércio não diminua drasticamente, os laços com países rivais devem enfraquecer, enquanto os vínculos com aliados devem se fortalecer. A divisão entre um bloco centrado nos EUA e outro na China é iminente, colocando países não alinhados em uma posição difícil.

A força econômica dos aliados dos EUA

Shearing aponta que os aliados dos EUA possuem uma base econômica mais robusta do que os da China. Com a maioria das nações desenvolvidas ao lado dos EUA, é provável que esses países busquem se alinhar mais com Washington, especialmente devido à dependência econômica e de segurança. O PIB dos EUA representa 68% do total mundial, comparado a 26% da China, evidenciando a força do bloco americano.

Desafios para a China

A análise de Shearing destaca que a China pode enfrentar maiores dificuldades em um cenário de fragmentação econômica. Com um superávit estrutural, a China depende fortemente de seus aliados para investimentos seguros. A desaceleração do crescimento econômico na China, que pode cair para 2%, é um alerta sobre as dificuldades que o país enfrentará em um mundo dividido.

Implicações para o comércio global

A fragmentação não é apenas uma questão de geopolítica, mas também afetará o comércio global e a dinâmica dos mercados financeiros. As tecnologias dominantes e os mercados de capitais dos EUA são insubstituíveis, enquanto a China, embora forte em minerais críticos, não possui a mesma influência em mercados financeiros. Essa dependência poderá limitar o crescimento econômico da China, que tradicionalmente tem buscado expandir suas exportações.

O futuro do multilateralismo

A fragmentação da economia global sinaliza o fim do multilateralismo como conhecemos. Se as potências dominantes, como EUA e China, continuarem a agir como se estivessem em um jogo de soma zero, o mundo pode se tornar mais perigoso. A ausência dos EUA em conversas críticas, como as mudanças climáticas, exemplifica o impacto negativo dessa divisão.

Reflexões finais

A previsão de uma fragmentação econômica pode ser um indicativo de um futuro incerto, onde tanto os EUA quanto a China precisarão reconsiderar suas posturas para evitar um colapso nas relações internacionais. A análise de Neil Shearing serve como um alerta sobre as tensões crescentes e a necessidade de uma abordagem mais colaborativa para sustentar a economia global em tempos desafiadores.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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