Mostra destaca a relevância cultural e histórica do Carnaval no Brasil

Exposição na Pinacoteca reúne obras que refletem o impacto social e político do Carnaval no Brasil.
A potência social e política do Carnaval em exposição na Pinacoteca
A exposição “Trabalho de Carnaval”, em cartaz na Pinacoteca de São Paulo, reúne cerca de 200 obras que evidenciam a potência social e política do Carnaval no Brasil. Com curadoria de Ana Maria Maia e Renato Menezes, a mostra busca refletir sobre como esta festividade popular tem o poder de organizar lutas e narrativas ao longo da história.
Um dos destaques da exposição é a icônica obra “Ratos e Urubus… Larguem Minha Fantasia”, um desfile da Beija-Flor de 1989 que fez história ao criticar a desigualdade social utilizando elementos do lixo para compor suas fantasias. A imagem do homem descamisado, com os braços erguidos em um ato de protesto, convida os marginalizados a participarem da festa, exaltando a força do Carnaval como um espaço de resistência.
Reflexões sobre a crítica social no Carnaval
A curadora Ana Maria Maia destaca que a mostra não se limita a uma abordagem disruptiva, mas também explora o Carnaval como um meio de organizar lutas e criar contranarrativas. Uma dessas contestações aconteceu quando a Beija-Flor tentou levar ao Sambódromo uma estátua de Jesus Cristo vestindo farrapos, que foi proibida pela Igreja Católica. A escultura, coberta por um saco de lixo, carregava a mensagem: “Mesmo proibido, olhai por nós!”, refletindo a forma como o Carnaval pode ser um espaço de insurgência e desobediência criativa.
Além das obras visuais, a exposição inclui áudios de sambas-enredos que também tratam da crítica social. O samba “Bum Bum Paticumbum Prugurundum”, vencedor de 1982, traz uma reflexão sobre a espetacularização do Carnaval, contrastando com a placidez das festividades europeias que têm raízes em rituais pagãos.
A união de diferentes influências
Artistas como Tarsila do Amaral e Heitor dos Prazeres são representados na mostra, evidenciando a intersecção entre o Carnaval e a cultura popular. A obra “Carnaval em Madureira”, de Tarsila, por exemplo, retrata um carro alegórico que incorpora a forma da Torre Eiffel, simbolizando a fusão de influências culturais distintas. Essa mistura reflete a riqueza e a complexidade do Carnaval, que transcende sua função de mero entretenimento.
O papel dos trabalhadores no Carnaval
A exposição também traz à tona a importância dos trabalhadores que fazem o Carnaval acontecer. A fotografia “Lucas Cordeiro”, de Pedro Marighella, retrata um profissional responsável por delimitar espaços nos blocos, trazendo à luz a realidade de baixos salários e longas jornadas. Maia enfatiza que o Carnaval é um monumento nacional, em grande parte, devido a esses trabalhadores que operam nos bastidores.
A mostra fica em cartaz até 12 de abril, com entrada gratuita aos sábados. A Pinacoteca pretende, assim, não apenas celebrar a festa, mas também provocar uma reflexão crítica sobre as estruturas sociais e políticas que permeiam a folia. O endereço é Avenida Tiradentes, 273, São Paulo, e o horário de funcionamento é de quarta a segunda, das 10h às 18h.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Hugo Muniz / Divulgação





