Diante de um cenário alarmante de violência contra a mulher em Mato Grosso do Sul, com 25 feminicídios registrados este ano, o governo estadual intensifica esforços na proteção e prevenção. Carla Stephanini, superintendente da Secretaria de Estado da Cidadania, aponta o machismo e o patriarcado como raízes desse problema, que muitos minimizam como simples discurso feminista.
Stephanini foi designada para coordenar um grupo de trabalho que avaliará a reorganização da Casa da Mulher Brasileira em Campo Grande. O objetivo é otimizar os serviços oferecidos, que incluem assistência jurídica, alojamento emergencial e perícia, concentrados em um único local há dez anos. “Como essas mulheres chegam na Casa? Com dor, com medo. E o quê elas esperam ao sair da Casa? Paz, respeito”, reflete Stephanini.
O aumento da violência doméstica é evidenciado pelos números da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) e do Gacep (Grupo de Atuação Especial de Controle Externo da Atividade Policial), do Ministério Público Estadual. São cerca de 6 mil boletins de ocorrência antigos que precisam ser encaminhados, somados a 1,8 mil novos registros a partir de fevereiro.
Casos chocantes de feminicídio, como o da jovem e sua bebê, e a morte da jornalista Vanessa Ricarte, geraram comoção e exigem ações urgentes. Em resposta, o governo anunciou auxílio financeiro para mulheres recomeçarem suas vidas, reforço em campanhas de prevenção e apoio às vítimas.
Para Stephanini, é crucial combater a ideia de que “mulher não é posse e propriedade”. Além disso, a superintendente defende a punição rigorosa dos agressores, não só como forma de justiça para as vítimas e suas famílias, mas também como medida pedagógica para a sociedade. Em casos de emergência, acione o 190 (Polícia Militar). Para denúncias e informações, ligue para o 180. Outros contatos são o Ceamca (3348-6698 e 99653-5913) e o site naosecale.ms.gov.br.










