Decisão dividida do Fed mantém juros nos EUA, dólar recua, mas petróleo dispara com crise no Oriente Médio

Após decisão dividida do Federal Reserve de manter juros nos EUA, dólar cai a R$ 5,10, refletindo desaceleração na política monetária americana, enquanto petróleo dispara mais de 7% com crise no Oriente Médio elevando tensões globais.
O dólar fechou em queda nesta quarta-feira (29), recuando para R$ 5,10, logo após o Federal Reserve (Fed) anunciar a manutenção dos juros americanos entre 3,50% e 3,75%. A decisão, contudo, foi marcada por uma divisão interna entre os dirigentes do banco central dos EUA, revelando um ambiente de incertezas sobre a política monetária futura.
O presidente do Fed, Kevin Warsh, adotou um tom mais moderado ao reafirmar o compromisso com a meta de inflação de 2%, mas indicou avanços recentes no controle dos preços, o que o mercado interpretou como uma sinalização menos agressiva para futuros aumentos.
No placar da votação, nove membros do Comitê Federal de Mercado Aberto defenderam a manutenção dos juros, enquanto três votaram por um aumento de 0,25 ponto percentual, reforçando a divisão interna que mantém investidores em alerta para possíveis ajustes na reunião de setembro.
A desvalorização do dólar no mercado brasileiro foi impulsionada também pela diferença de juros entre o Brasil e os EUA, favorecendo operações de carry trade. Além disso, a valorização do petróleo – com alta de até 7,32% no tipo Brent – contribuiu para um fluxo maior de recursos ao Brasil, grande exportador da commodity.
No entanto, a bolsa brasileira não acompanhou o movimento positivo da moeda e encerrou o pregão com queda de 1,52%, pressionada principalmente pelas ações do setor bancário. O cenário externo adverso, marcado pela escalada das tensões no Oriente Médio entre forças americanas e grupos apoiados pelo Irã, aumentou a aversão ao risco.
O conflito no Oriente Médio impulsionou os preços do petróleo, com o barril Brent chegando a US$ 88,09 e o WTI a US$ 84,46, reacendendo temores sobre o abastecimento em uma das regiões mais estratégicas do planeta. Declarações do presidente Donald Trump sobre resposta militar e risco de escalada do conflito também pressionaram os mercados.
As ações da Petrobras, por sua vez, foram as que mais amenizaram as perdas do Ibovespa, valorizando-se até 2,35% em meio ao salto dos preços internacionais do petróleo.
No exterior, o índice S&P 500 fechou em baixa de 1,55%, refletindo a cautela global diante das perspectivas conflitantes sobre a política monetária dos Estados Unidos e o risco geopolítico crescente.
Enquanto isso, dados domésticos como o resultado do Caged e o superávit da balança comercial perderam espaço diante do impacto mais contundente dos fatores externos e da decisão do Fed sobre os mercados locais.








