A crescente digitalização gera debates sobre autonomia e proteção dos idosos no uso de smartphones

Famílias debatem o monitoramento de celulares de idosos para proteger contra golpes e vícios, equilibrando autonomia e segurança.
O dilema das famílias ao monitorar celulares de idosos
Monitorar celulares de idosos tornou-se um desafio frequente nas famílias brasileiras em 2026, diante do crescimento do uso de smartphones pelos mais velhos e das ameaças digitais que enfrentam. O psiquiatra Rodrigo Machado, coordenador do Grupo de Dependências Tecnológicas da USP, destaca que o aumento da longevidade aliado à popularização da tecnologia entre idosos trouxe à tona a necessidade de equilibrar a autonomia dos idosos com mecanismos de proteção, sobretudo quando há comprometimento cognitivo ou vulnerabilidades visuais e auditivas.
Aplicativos de controle parental e sua adaptação para idosos vulneráveis
Tradicionalmente utilizados para monitorar crianças e adolescentes, os aplicativos de controle parental têm sido adaptados para monitorar o uso de smartphones por idosos. Rodrigo Machado recomenda a utilização dessas ferramentas para acompanhar o tempo de uso do celular, impedir o acesso a golpes online e evitar vícios tecnológicos. A decisão sobre quando e como aplicar esses controles deve ser mediada por profissionais da saúde, considerando o grau de autonomia e capacidade crítica do idoso.
Educação digital e projetos especializados para o público idoso
Além do controle técnico, o diálogo familiar e a educação digital são essenciais. Kamila Rios, professora da USP, relata que há grande demanda entre idosos por cursos e materiais que auxiliem no uso consciente da tecnologia, incluindo a identificação de fake news. O governo federal mantém uma plataforma com conteúdos voltados à inclusão digital da população mais velha, refletindo um movimento crescente para fortalecer o senso crítico e a segurança dos idosos no ambiente virtual.
Riscos específicos: golpes, vícios e exposição a conteúdos inadequados
Os riscos que rondam os idosos no mundo digital vão além dos golpes financeiros, incluindo o vício em smartphones e o acesso inadvertido a conteúdos sexualizados ou pornográficos. Psicólogos e assistentes sociais alertam que a falta de filtros e senso crítico pode levar a situações constrangedoras e prejudiciais, sendo importante orientar sobre privacidade e uso responsável. A necessidade de vigilância e educação contínua é reforçada diante do avanço das fraudes e do comportamento online dos idosos.
Desafios e reflexões sobre a tecnologia e a autonomia na terceira idade
Nem todos os idosos apresentam vulnerabilidades para justificar o monitoramento. Exemplo disso é a mãe do psiquiatra Rodrigo Machado, médica ativa de 72 anos, que mantém o uso autônomo e crítico da tecnologia. O poeta Bruno Kampel, de 81 anos, também demonstra uma relação equilibrada com o celular, valorizando o contato humano e criticando a dependência excessiva do aparelho. Essas experiências evidenciam a necessidade de respeitar a individualidade e o momento de cada idoso na relação com a tecnologia, conciliando proteção e autonomia de forma sensível e contextualizada.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










