Remo e Paysandu, gigantes do futebol paraense, podem ter que mudar drasticamente sua forma de gestão. Nos últimos 20 anos, juntos, contrataram cerca de 1.300 jogadores, além de dezenas de técnicos e outros profissionais. Essa farra de contratações, que drenou fortunas, pode estar com os dias contados com a chegada do Fair Play Financeiro ao futebol brasileiro.
O Fair Play Financeiro, em elaboração por 34 clubes, CBF e federações, visa a sustentabilidade dos clubes. A essência é simples: gastar apenas o que se arrecada, com punições severas para quem descumprir as regras. A FIFA já utiliza mecanismos semelhantes, como o Transfer Ban, que o Paysandu já sentiu na pele.
Um exemplo clássico da necessidade dessa regulação ocorreu em 1987. O Remo vendeu seu artilheiro Dadinho ao Santa Cruz, mas nunca viu a cor do dinheiro. “Caso típico de irresponsabilidade do Santa Cruz e de imprevidência do Remo”, demonstra a urgência de regras claras.
Se o Fair Play Financeiro estivesse em vigor, o Remo não teria perdido Dadinho e o dinheiro da venda. A nova regulamentação busca proteger não apenas os clubes, mas também atletas e outros profissionais, que hoje dependem da Justiça do Trabalho para garantir seus direitos.
Entretanto, a implementação do Fair Play Financeiro no Brasil ainda gera dúvidas. A grande questão é quem irá gerir o regulamento: CBF ou uma futura Liga de Clubes? A expectativa é que o modelo brasileiro se inspire em ligas europeias como a Bundesliga, LaLiga e Premier League, mas com aplicação gradual.
O Estatuto do Torcedor e a Lei Pelé foram marcos importantes na regulamentação do futebol brasileiro. A Lei Pelé, por exemplo, permitiu diversas rescisões contratuais na Justiça do Trabalho, com o Remo sendo um dos clubes mais afetados. Agora, a Lei Geral do Esporte, que substituiu o Estatuto do Torcedor, será a base legal para o Fair Play Financeiro.
Ricardo Gluck Paul, vice-presidente da CBF e presidente da FPF, tem liderado a elaboração do Fair Play Financeiro. Em entrevista ao Sport Insider, ele detalhou o processo e os desafios da implementação. Resta saber se a nova regra conseguirá frear os gastos excessivos e trazer uma gestão mais responsável para o futebol brasileiro.
Fonte: http://www.oliberal.com





