Gigante do petróleo defende tecnologia inovadora que enfrenta críticas de ambientalistas

ExxonMobil defende sua tecnologia de reciclagem de plástico, mas enfrenta acusações de greenwashing.
ExxonMobil e a inovação na reciclagem de plástico
A ExxonMobil, gigante do petróleo, alertou que novas regulamentações podem comprometer sua tecnologia de reciclagem de plástico, que promete revolucionar o mercado. A empresa enfrenta críticas de ambientalistas, que a acusam de greenwashing, uma prática considerada enganosa, promovendo-se como ecologicamente responsável sem evidências concretas.
A ExxonMobil está pressionando legisladores na União Europeia e nos Estados Unidos para que mudanças nas regras possibilitem a liberação de centenas de milhões de dólares em investimentos na chamada “reciclagem química”. Essa tecnologia, segundo a empresa, tem o potencial de transformar resíduos plásticos que não podem ser reciclados por métodos tradicionais em novas matérias-primas para a fabricação de plásticos virgens.
Criticas e defesas em torno da reciclagem química
Apesar das promessas, a reciclagem química é contestada por muitos especialistas em meio ambiente. Críticos afirmam que a técnica pode liberar poluentes no ar e produzir mais combustíveis do que plásticos reciclados. Renée Sharp, diretora do Conselho de Defesa dos Recursos Naturais, destacou que a abordagem da ExxonMobil se assemelha a uma manobra de marketing que visa desviar a atenção do problema real dos plásticos.
Analistas do setor estimam que essa tecnologia poderia gerar um mercado de até US$ 120 bilhões na indústria petroquímica, especialmente nos EUA e Canadá. A ExxonMobil afirma que, se implementada em larga escala, a reciclagem química poderia ajudar a mitigar a crise global de resíduos plásticos, uma preocupação que levou governos a considerar restrições à produção de plásticos.
A urgência do problema do plástico
A Organização das Nações Unidas (ONU) adverte que cerca de 2.000 caminhões de lixo cheios de plástico são despejados nos oceanos diariamente, prejudicando a fauna marinha e a saúde pública. Entretanto, as negociações para um tratado global sobre plásticos não avançaram, refletindo a divisão entre os países sobre a necessidade de limitar a produção de plástico.
Matt Crocker, presidente da ExxonMobil, defende que os plásticos possuem características únicas que não podem ser facilmente substituídas. Ele ressalta que a expansão das plantas de reciclagem química é essencial para enfrentar o problema dos resíduos plásticos.
Investimentos e obstáculos na reciclagem
Recentemente, a ExxonMobil anunciou a suspensão de um investimento de 100 milhões de euros em fábricas de reciclagem química na Bélgica e na Holanda, citando regras preliminares da UE que tornariam o projeto inviável economicamente. As novas diretrizes contábeis podem impactar a lucratividade, uma vez que o produto reciclado pode ter preços mais altos quando vendido para empresas que buscam cumprir metas de sustentabilidade.
Grupos ambientalistas pedem que as regras sejam rigorosas para evitar que empresas reivindiquem créditos por materiais que são, na verdade, convertidos em combustível. Lauriane Veillard, da Zero Waste Europe, enfatizou que alegações de conteúdo reciclado devem ser estritamente regulamentadas.
A batalha legal em torno da tecnologia
Nos EUA, a ExxonMobil enfrenta um processo do estado da Califórnia por supostamente enganar o público sobre a reciclabilidade do plástico. A empresa reagiu processando o procurador-geral e os grupos ambientalistas por difamação, afirmando que suas inovações são baseadas na verdade e que as alegações contrárias são infundadas.
Enquanto isso, a ExxonMobil continua a investir em suas operações de reciclagem química, tentando justificar sua posição em um mercado cada vez mais crítico em relação ao meio ambiente. O futuro da reciclagem de plástico e a sustentabilidade da indústria petroquímica permanecem incertos, enquanto as pressões por uma economia circular aumentam.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: AFP










