O ex-chefe da Assessoria Especial de Enfrentamento à Desinformação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Eduardo Tagliaferro, lançou acusações contundentes contra o Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. Em depoimento na Comissão de Segurança do Senado, Tagliaferro alegou que Gonet, quando vice-procurador-geral eleitoral, teria se envolvido em procedimentos irregulares durante investigações com foco em indivíduos e grupos alinhados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A sessão da comissão foi presidida pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
Tagliaferro afirmou que Gonet manteve contato direto com seu gabinete em 2022, solicitando ações que extrapolavam os limites legais, sinalizando um possível alinhamento entre o Ministério Público e o Judiciário. Para corroborar suas alegações, o ex-assessor apresentou prints de conversas via WhatsApp, que supostamente demonstram pedidos de Gonet e de um assessor identificado como Lucas para a elaboração de relatórios e o repasse de informações ao então presidente do TSE, Alexandre de Moraes.
Em uma das trocas de mensagens exibidas, Gonet teria solicitado uma lista de decisões relacionadas à remoção de conteúdo em redes sociais. A resposta do assessor, segundo Tagliaferro, foi: “Levantamos os processos, agora vamos pegar as decisões para o senhor”. Em outro diálogo, Lucas teria afirmado estar falando em nome de Gonet sobre um assunto previamente tratado com o ministro Alexandre de Moraes.
Adicionalmente, Tagliaferro relatou que Moraes encaminhou a Gonet um vídeo, pedindo auxílio na identificação do autor da publicação original. Segundo o ex-assessor, as interações entre os gabinetes se estenderam até março de 2023, período em que já havia investigações em curso no Supremo Tribunal Federal (STF) contra empresários e figuras políticas da direita.
Vale lembrar que, no ano anterior, a Folha de S.Paulo noticiou que o setor de combate à desinformação do TSE teria sido utilizado como um braço investigativo do gabinete de Moraes no STF. A publicação relatou a existência de relatórios não oficiais produzidos para embasar decisões contra alvos considerados bolsonaristas. Diante das acusações e da repercussão do caso, a assessoria de Paulo Gonet, que participa do julgamento de Jair Bolsonaro no STF, informou que não se manifestaria sobre o assunto.










