Medida de Trump mira setores estratégicos e pressiona economia de São Paulo e Santa Catarina

Tarifa adicional de 25% decretada pelos EUA entrou em vigor, impactando 19% das exportações brasileiras e setores cruciais como eletroeletrônicos e autopeças, com São Paulo e Santa Catarina sendo os mais afetados.
Nesta quarta-feira (22), entrou em vigor o tarifaço de 25% imposto pelo governo de Donald Trump sobre produtos brasileiros, atingindo diretamente 19% das exportações nacionais para os Estados Unidos. A decisão, fundamentada em acusações de práticas comerciais “desleais”, afetará entre US$ 7,2 bilhões e US$ 11 bilhões em mercadorias, segundo dados da Apex-Brasil e da Câmara Americana de Comércio para o Brasil.
Mais de 2,3 mil produtos estão na mira da tarifa, com destaque para eletroeletrônicos, máquinas, autopeças e calçados – setores cruciais para a indústria brasileira e para o mercado externo. Enquanto cerca de 700 produtos ficaram isentos, o impacto concentra-se fortemente nos estados de São Paulo e Santa Catarina, responsáveis por 52% das exportações afetadas. Santa Catarina, em particular, sofre com 68% do seu volume de exportação para os EUA prejudicado pela medida.
A Casa Branca justifica a taxa por seis motivos que vão desde pagamentos eletrônicos (pix) até questões ambientais, como o combate ao desmatamento ilegal, e acusa o Brasil de restringir mercados e de práticas comerciais injustas. O Ministério das Relações Exteriores brasileiro rechaça essas justificativas, classificando-as como motivadas por interesses políticos e sem respaldo na realidade, além de criticar a postura dos EUA que exigiam abertura comercial unilateral.
Em resposta ao duro golpe, o governo federal anunciou a retomada de um programa emergencial de apoio financeiro, com linhas de crédito para capital de giro e investimentos, além de esforços para redirecionar produtos a outros mercados. A Apex-Brasil planeja um investimento de R$ 130 milhões para diversificar os destinos das exportações, mirando mercados na União Europeia, Sudeste Asiático e Ásia Central.
O tarifaço simboliza uma nova fase de pressão dos EUA sobre o comércio brasileiro, com impactos diretos em cadeias produtivas estratégicas e na economia regional. A reação brasileira buscará mitigar perdas e desafiar a narrativa americana, enquanto o cenário político-comercial entre os dois países se mostra cada vez mais tenso e complexo.








