Pesquisa em Santa Catarina mostra que uso de óleo rico em CBD melhora interação social e reduz agitação em pacientes com TEA

Uso de óleo de canabidiol em crianças autistas mostra melhora na sociabilidade e redução da agitação em estudo conduzido em Santa Catarina.
Uso de óleo de canabidiol em crianças autistas melhora sociabilidade e reduz agitação
O óleo de canabidiol em crianças autistas vem ganhando destaque após estudo realizado em Santa Catarina, que acompanhou 30 pacientes com idades entre 2 e 15 anos durante 24 semanas. A pesquisa, conduzida por equipes da Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), revelou que o óleo rico em CBD promoveu melhorias significativas na interação social e na redução da agitação psicomotora dos participantes. O médico Alysson Madruga de Liz, principal autor do estudo, ressaltou a importância desses resultados, especialmente por não existirem medicamentos aprovados que auxiliem diretamente na sociabilidade de crianças com TEA.
Detalhes sobre a composição e efeitos do óleo rico em canabidiol usado no estudo
O produto utilizado no estudo contém uma proporção de 14 partes de canabidiol (CBD) para 1 parte de tetrahidrocanabinol (THC), composto psicoativo da Cannabis. Essa composição visa maximizar os efeitos terapêuticos do CBD, reconhecido por auxiliar no controle da irritabilidade, melhorar a qualidade do sono, aliviar dores crônicas e controlar transtornos como ansiedade, minimizando a influência do THC. Fornecido pela Associação Brasileira de Acesso à Cannabis Terapêutica (Abraflor), o óleo foi aprovado para uso medicinal no Brasil. Entre os 30 pacientes, 16 conseguiram reduzir ou suspender o uso de outros medicamentos, como risperidona, substituindo-os pelo óleo. Os efeitos colaterais observados foram limitados a aumento do apetite e, em alguns casos, nervosismo.
Impacto da pesquisa sobre tratamento farmacológico para transtorno do espectro autista
O estudo evidencia uma lacuna significativa no tratamento farmacológico dos sintomas centrais do TEA, especialmente no que tange à sociabilidade. Os resultados indicam que o óleo de canabidiol pode representar uma alternativa eficaz para melhorar a qualidade de vida dessas crianças, especialmente àquelas que não respondem adequadamente às terapias convencionais. O neurocientista Paulo Bitencourt, colaborador da pesquisa, destaca a relevância desses achados para ampliar as opções terapêuticas e incentivar o desenvolvimento de protocolos clínicos que incluam o CBD.
Contexto global e comparações com estudos internacionais sobre canabidiol e autismo
Referências internacionais também corroboram os benefícios do canabidiol para crianças autistas. Um estudo israelense de 2021, conduzido no Shaare Zedek Medical Center, acompanhou 150 crianças e adolescentes com TEA, e constatou que 49% dos que receberam óleo à base de Cannabis apresentaram melhorias nos sintomas relacionados ao autismo. Assim como a pesquisa brasileira, o estudo israelense reforça a ausência de tratamentos farmacológicos estabelecidos para os sintomas centrais do TEA e posiciona o CBD como um componente promissor para intervenção terapêutica.
Perspectivas e desafios futuros para o uso do óleo de canabidiol em crianças com TEA
Apesar dos avanços, os pesquisadores brasileiros destacam a necessidade de estudos mais amplos e controlados para consolidar o uso do óleo de canabidiol como tratamento padrão para TEA. O médico Alysson Liz salienta que, embora existam resultados promissores desde 2020, o medicamento ainda está em fase de testes. Rafael Mariano de Bitencourt, coautor do estudo, aponta para a utilização empírica crescente por famílias, o que demanda uma resposta científica mais robusta. Os relatos de familiares, como o da gastrônoma Fernanda Alves de Araújo, que observou melhorias significativas no filho Mariano após o uso do CBD, reforçam a urgência em aprofundar as pesquisas e estabelecer protocolos seguros e eficazes.
A complexidade do TEA e a variabilidade nas respostas ao tratamento indicam que o óleo de canabidiol pode ser uma ferramenta valiosa dentro de um quadro terapêutico multidisciplinar, sempre considerando as necessidades individuais de cada paciente.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Anderson Coelho/Folhapress





