Em uma manobra que visa proteger o mandato de Eduardo Bolsonaro (PL-SP), o Partido Liberal o oficializou como líder da Minoria na Câmara dos Deputados nesta terça-feira (16). A mudança estratégica ocorre em meio à ausência prolongada do parlamentar, que reside nos Estados Unidos desde março, e ao risco de cassação por faltas nas sessões deliberativas. Caroline de Toni (PL-SC), que ocupava a liderança, renunciou em favor de Bolsonaro, assumindo a primeira vice-liderança.
A medida visa evitar que Eduardo Bolsonaro perca o mandato devido à sua ausência em votações na Câmara, que já ultrapassa dois meses. Segundo informações, o parlamentar poderia ser automaticamente destituído do cargo a partir do próximo ano caso o problema persistisse. A manobra política foi confirmada pelo líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ).
Cavalcante justificou a decisão com base em uma norma interna da Câmara, em vigor desde 2015, que isenta líderes partidários de justificar ausências e registrar presença em votações. “Estamos protegendo sim o Eduardo Bolsonaro naquilo que estiver a nosso alcance, porque ele está exercendo o seu mandato, só está à distância por uma vontade que não é dele”, admitiu Caroline de Toni.
A nomeação de Eduardo Bolsonaro já foi encaminhada ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB). A resolução que embasa a manobra foi assinada em 2015 por Eduardo Cunha (MDB-RJ), então presidente da Câmara.
Do lado governista, a reação à manobra já se articula. Lindbergh Farias (PT-RJ) classificou a medida como “um absurdo” e sinalizou que ações serão tomadas no Plenário da Câmara, na Mesa Diretora e no Judiciário. O líder petista já havia apresentado uma representação no STF pedindo a prisão preventiva de Eduardo Bolsonaro, além do bloqueio de seus salários e verbas parlamentares.










